
Saturday, July 19, 2008
Poema - Vitória

Tuesday, July 01, 2008
Poema - Diálogo com Deus

de um frio insuportável,
mas aquele era o memorável
para a posterioridade ficar.
Pois, é o grande organizador
do explicável e do inexplicável
e este meu jeito lamentável
não poderá bem explanar.
De tentativas
o quase existe;
o inacabado subsiste
e assim muitos desistem.
Porém, não é certamente isso
que do meu objetivo irá tirar.
Desta forma, bem que eu poderei explanar
seja de que jeito for.
Sou um criado,
recriado e moldado
pelo meio à minha volta.
E não sou aquele
a escrever sobre linhas tortas
nem andar por cima das águas.
Não conheço o Aconcágua,
quanto mais o Salvador.
Mas a histórias passam
e sendo repassadas seguem seu caminho.
E será este o destino
de nossa cultura desregrada?
Um ser uniforme
e ao mesmo tempo disforme.
Figura esbranquiçada
que invisível se torna.
É o começo é o fim.
É o nascimento de José;
é o falecimento de Caim.
De todo começo sempre saberá o triste fim.
De todas as sortes sabe
e não se apraz com os conspiradores.
Serão estes os desertores
de todo o ideal divino?
Sua bondade magnânima
de tão grande é invisível
e deve ser por isso
que muitos se sentem preenchidos.
Quanto ar! Quanto ar!
Preencham-se de verdade.
Apenas não esqueçam a vontade,
pois, a intensidade faz estourar.
Nem tudo estourado tem graça
pois se perde a mágica
escondida no ar.
Então, este é um ser mágico?
Organize e crie meus sonhos,
diz o menino.
Em prece a oração segue firme
e em sua voz,
o timbre
não o denuncia vacilar.
Hesitação, calafrio.
E o brio do olhar alcança a fé
e de pé o garoto se põe a rogar.
E há muito tempo,
esse garoto mal sabe,
que um ser
tal como uma nave,
o universo se dispôs a percorrer.
Harmonizou o caos,
deu vida a matéria.
E pôs tudo que existe
pedra sobre pedra.
Eis que o desejo se consome
e desse ser surge o homem!
Ohh menino,
seu primeiro pai,
Grande pai!
Deixou uma herança
que de bonança nada tinha.
Então não é esta a obra-prima
que da eternidade o fez voltar?
Haveria um outro sentido
na outra metade da laranja?
Haveria necessariamente que haver a dor
para que houvesse a esperança?
Se o sentimento ruim existe
certamente é porque se fez necessário
então a idéia de alcançar a luz
parece ser mais conto do vigário
que, vigarista,
arrisca e petisca
as mais nobres intenções
de entender as origens,
seja através da ciência
ou através dos sermões.
Não foi Camões
a contar a História de Portugal?
E não seria ele o único frugal
a ter tal empreitada de paixão?
Onde residirá a força e a capacidade
de me fazer no tempo voltar?
Isto parece ser impossível.
Esses versos já chegam ao fim...
Engana-te,
Ó jovem!
Eu sou aquele
que tornado um ser vulgar
aprisionado foi
no esquecimento humano
e este é o maior ato desumano
que um mito pode vir a sofrer.
Já fui chamado de Alfa
e também de Ômega.
Fui um dos primeiros "Início".
Meu poder é real.
Enquanto existir o sobrenatural,
a crença e a metafísica
toda a minha mística
será inculcada no inconsciente.
E displicente será aquele
que de mim duvidar.
Não tenho poder para punir com fogo e enxofre
já que o maior dos poderes,
a alienação,
não está ao meu alcance.
Não obstante,
nesse instante,
poderei levá-lo ao Início de tudo.
Que maravilha!
Do tempo
era o senhor o dono.
Ó Chronos!
Nunca maior beleza meus olhos haviam tocado.
Sinto-me um rato, um verme, um nada.
O que é aquilo?
Ahhh.... matéria?
Lembro da Física,
onde se aplicam ali as regras?
Está tudo tão confuso.
E por acaso,
onde está Deus nisso tudo?
Inteligência e demência
caminham lado a lado.
Ser humano, por si só carrega um fardo.
E de tal enfado estou aqui pra te explicar.
Saiba que toda a criação;
Toda a organização;
Não tem o dedo divino.
Aquela bola que ali você vê
é a origem de tudo.
Sobretudo,
daquilo que vocês virão a chamar de amor.
Ali nascerá o ódio
que irá se ramificar em rancor.
Ali nascerá a bondade,
lunática,
que fará muitos apontarem caminhos.
A vida irá surgir.
Para os confins do eterno vazio o universo irá se direcionar.
Com isto aprendemos uma lição
com o sorrateiro inanimado
que preenche constantemente seu vazio
com a vida
e ao seu lado segue a própria vida
alimentando e sonhando
a esperança
de se manter eterna.
Não entendo o porquê
daquilo que tantos vieram me dizer.
Disseram-me sobre a vida e sobre o pós-vida
e agora nada disso me faz sentido.
Estou confuso e meus pensamentos agora
são meus inimigos.
Neste momento o último brilho que restava em meu olhar
foi apagado.
Não há mais sentido para que eu viva.
E que sobreviva aquele que foi manipulado!
Mas, uma coisa eu não consigo entender.
Por quê a ti,
Ó nobre Deus,
eu consigo ver?
Simples é o fato
que como ser humano sua imaginação é um dado
de vários lados.
Sua sorte é lançada de acordo com o que você pensa
e repensa de acordo com as circunstâncias de sua vida.
Assim nasce o sol,
que luz traz para o dia.
E aquece o coração humano;
trazendo alegria e segurança.
A festa é tanta
que este sol merece até ser chamado de Deus.
Luz para qualquer direção que nossa vista apontar,
Ó Lorde Rá!
Infelizmente sua luz não dura o bastante.
As trevas dominam e as horas são de jejum
As trevas submetem a luz
dando espaço para a vinda de Khonsu.
Mas somente serão Rá e Set a guerrear
e a criar a dualidade luz e trevas.
Pois, enquanto Khonsu espera,
o homem se desespera
e oferece os mais diversos sacrifícios
que não passam de suplício
para amenizar a culpa pela criação.
Maldita criatura!
Tornando-se mais poderosa que o criador,
o mesmo submeteu pela fé e pela dor.
Grandioso é o teu pensamento.
Minha existência, torna-se meu lamento.
A dualidade está no nosso coração.
Em todos nós
resta a opção da mudança;
braço da esperança que guia o ser humano
na direção do desconhecido.
Entendo, agora,
que nosso limite
é o limite da subjetividade.
Tornando-se, portanto,
um dos braços da verdade
que alguém irá abraçar.
Tuesday, June 24, 2008
Poema - Diálogo com o Conde

E conseguiu alcançar o mais nobre desafio
Ô obscuridade gentílica!
Então ela cresce e se transfigura.
O grande ego vai caminhando.
Não é que o ego esconda
Ô nobre Conde, sobre meu povo e minha terra
Pois, meu amigo,
Percebo que posso
Sunday, June 22, 2008
Poema - Versos para um amigo
Alegre Soldado que segue adiante...
além dos problemas, porém, é negligente
com a própria capacidade. Precisa ser fervente!
Mesmo que tudo que reste no fim seja nada.
Sunday, November 25, 2007
Texto ainda em elaboração
Milhares são os motivos que emperram uma tentativa altruísta de melhorar nosso grande habitat. O “nosso” torna-se hoje piada. A idéia de que o mundo é dos homens deve ser reformulada para “o mundo é de poucos homens”. Um por cento da população brasileira, possui uma riqueza que corresponde à renda de 50% da população. Lênin considera que a classe empresarial apropriou-se dos meios de produção, nos seus mais diversos sentidos. Possui não somente a força econômica, mas a cultural. Desta forma, a classe empresarial adquire a capacidade de ditar as tendências. À semelhança do que ocorreu na corte de Luis VIII, a classe dirigente do Brasil cria suas próprias maneiras que são parcialmente copiadas pelos estratos sociais inferiores.
Um sistema econômico é uma instituição com vida própria. Criada, a princípio, sem intenção explícita; é a reguladora da conduta humana, que perpassa o nível material e ideal. Com todas as suas peculiaridades, tudo o que é produzido por esse sistema possui uma forma sob medida; pronta pra ser feita e desfeita. E desta forma também é o que se localiza no campo ideal. O modo como o homem vê o mundo, passa a ter um significado próprio. As relações também são feitas sob medida, como se fossem produtos. A aparente ausência de data de validade não tem grande importância, porque as relações tendem a sofrer constantes desgastes. Se por um lado há a concentração de riqueza, mesmo nos despossuídos isto pode ser refletido como uma concentração de instintos. Ao serem desprovidos dos principais bens da sociedade, as pessoas tendem a acumular sentimentos; sejam positivos ou negativos. Isto atravessa os mais diversos campos da relação do homem com a sociedade. A audácia torna-se um dos trunfos daquele que rouba, mesmo sabendo que ansiedade e medo em muitos casos são dominantes. Ninguém nasce com todas as características definidas. Desde o nascimento, o homem sofre modelações. Seja no seio familiar, no da sociedade e naquilo que constrói com suas percepções. O conhecimento adquirido gera novas formas de manifestação que alteram a própria conduta humana por meio de associações. E justamente através do saber, o homem pode melhor coordenar suas ações; tendo ciência de seus impulsos e ampliando o número de soluções para um problema.
A escola é uma instituição conservadora. Reproduz as características econômicas do sistema dominante no modelo de ensino, no comportamento e na visão de mundo dos seus estudantes. Por um lado existe a escola pública e do outro a particular. Na primeira encontramos os peões do tabuleiro de xadrez. A grande massa, que será a mão-de-obra dos interesses daqueles que detém o poderio econômico. Os filhos desta escola irão formar a massa com defasagem na consciência crítica e autônoma em relação aos grandes interesses político-econômicos. Desta forma, a classe empresarial possui um grande trunfo. Com seu poder de financiamento apóia candidatos nos municípios e estados; resguardando-se contra possíveis eventualidades. Uma máquina pública é formada a partir desses interesses. A política perde sua identidade enquanto espaço para representação do povo para assumir os desejos e ambições de um grupo. Mesmo que candidatos que pregam o social cheguem ao poder, não muito poderão fazer contra o cenário que encontram montado. Jogam no terreno do inimigo e muitas vezes ocorre de mudarem de lado. A educação brasileira é um dever “da família e do estado”. O Estado dá a escola, o alimento, mas não fornece as condições psicológicas ou de qualquer outra ordem que não podem ser feitos num formulário. A privação traz problemas próprios: desordem no seio familiar, necessidade de trabalho, falta de material de estudo, infelicidade, desesperança. Infelicidade e desesperança são termos inexistentes para aqueles que se autodenominam doutos da Economia; que com todo seu tecnicismo acabam esquecendo que as pessoas possuem desejos, sonhos e que quando se vêem frustradas, uma série de problemas negativos, e em pouquíssimos casos, positivos, vem à tona. Positivo me refiro quando se é analisado o desejo de continuar lutando, persistindo. Quanto aos problemas negativos, eles podem gerar boa parte das seqüelas sociais. Ao ir à escola pública, o menino carente depara-se com jovens de boa condição financeira que reproduzem em seus comportamentos as tendências ditadas pelos pais daqueles que eles pretendem imitar: os jovens aburguesados. A privação não seria o único problema, caso não existisse todo um aparato de incitação ao consumo. Aqueles que não podem adquirir os produtos do capital são ridicularizados por aqueles que fazem perfeitamente o papel marionetes. O homem é sensível à influência; e o pouco conhecimento junto ao fraco desprego moral e de valores, acaba tornando irresistível para o jovem adentrar o mundo do crime como forma de possuir aquilo que lhe falta enquanto membro de uma sociedade capitalista. Existem bens que não são possíveis para a classe média e baixa. Eles contentam-se com réplicas ou com suas próprias criações e fazem deles o passaporte simbólico para o mundo dos suseranos do capital.
A escola particular é um mundo com muitos submundos. Por um lado se tem escolas pagas para fornecerem um serviço “melhor” à da rede pública. Por outro lado, se tem escolas que são verdadeiros berços aristocráticos. Nelas encontram-se os “filhos dos fidalgos”. Crianças que irão substituir aqueles que detêm o poder e que são as verdadeiras donas da nação, pois, tem sob seu controle, todo o aparato dos meios de produção e comunicação. Este último é indispensável para a manutenção de um status quo, e na divulgação das tendências elitistas com o nome de “bom gosto”. Esta instituição particular irá formar uma série de tecnocratas sem relação direta com o povo, sem estar atentos às necessidades da sociedade. Irão comandar milhares de homens a partir de um laptop no último andar de suas empresas. Tanto na instituição particular quanto na pública, existe um mundo com submundos. Com suas próprias características devem ser analisadas e contextualizadas. E numa perspectiva macro correspondem à antiga idéia do Senhor e Servo, cuja visão aristotélica pressupõe que seus interesses são mútuos e estão intrinsecamente ligados, o que é errôneo afirmar.
A cultura está diretamente ligada às instituições forjadas pelo homem. Uma instituição é, antes de tudo, uma concepção. Um posicionamento acerca de um problema, com a intenção de resolvê-lo ou monitora-lo. Ela consegue criar suas próprias raízes e desta forma ramifica-se numa série de estruturas da mentalidade. A conduta é alterada e o modo de lidar com o meio adquire um novo significado. A cultura tanto pode surgir da instituição quanto ser uma condição para formá-la. A exemplo, o racismo no Brasil do século XIX era institucionalizado, advindo de uma cultura racista, da coisificação do escravo negro. O aparato burocrático do Estado excluía o negro, seja do momento eletivo ou mesmo das melhores oportunidades de trabalho. A igreja é um exemplo de uma instituição que gera uma cultura própria. Não somente a igreja como as religiões num todo. Inicialmente utilizam elementos culturais para uma simbiose de concepções acerca do mundo, gerando um novo olhar e um novo “portar-se”.
A todo instante somos influenciados e influenciamos. Mas apesar dos limites de nossa influência, sempre agimos de acordo com um todo homogêneo. Tal homogeneidade é o sistema capitalista. O conhecimento é uma forma de desgarrar-mos do condicionamento que involuntariamente (ou voluntariamente) sofremos. Deixemos de lado o modelo behaviorista de Skinner com sua posição rígida acerca do condicionamento e adotemos a posição de Norbert Elias do que ele significaria. Mesmo com o conhecimento tendo potencial de transformação sobre os indivíduos; os valores, a moral, os forma. Temos uma grande parte de preconceito enraizado, assim como de elementos reacionários e estes podem se manifestar sob a forma do desânimo, da inércia, da descrença. Na escola, o jovem aprende os princípios do capitalismo. Seu ser é composto por elementos discriminatórios e de preconceito. À medida que cresce sem que essas informações sistêmicas sejam cessadas, acaba por transformar-se num legítimo reacionário.
Uma coisa é certa: independentemente do sistema (capitalista, comunista, anarquista e outras), sempre haverá uma manutenção ideológica através das instituições do sistema vigente. Cabe ao indivíduo uma decisão quando se é analisado o socialismo como uma alternativa: é melhor um sistema em que um indivíduo é incitado à competição, que cria o culto à individualidade, que divide a sociedade em classes, que concentra a riqueza nas mãos de poucos ou um sistema que pretende diminuir os abismos entre as classes com o objetivo de eliminá-las, com a intenção de criar uma democracia racial, com a assistência aos bens mais básicos para a manutenção do indivíduo? As duas irão repassar suas ideologias através de uma série de mecanismos forjados em seu seio. Como são instituições, é compreensível a causa destas ações. Mas alegar que este é o motivo que impede uma possível escolha, porque aparentemente resultariam na mesma coisa, é um tanto insensato ou mesmo talvez esteja imbuído de um elemento reacionário disfarçado.
A idéia de classe no Brasil é diferente do que isto é entendido na Europa, por exemplo. Também é diferente de como isto é entendido na Ásia, ou seja, qualquer que seja a teoria, ela pode encontrar-se de forma diferente, mas sem que perca sua essência. Neste caso, a quintessência sem dúvida é a divisão dos homens numa “meritocracia” baseada no dinheiro. No caso brasileiro, a origem étnica do indivíduo é fator determinante para sua alocação na sociedade através do filtro natural das classes. Há a opinião de que no Neoliberalismo sobressaem-se os mais fortes. Portanto, aqueles que não ascenderam socialmente seriam os grandes fracassados. O sistema impõe sérias dificuldades àqueles que ocupam os estratos sociais mais baixos. Há uma manutenção da elite, com o mínimo possível de subida e descida entre seus membros nas classes sociais. Lênin afirma que a força trabalhadora tem se unido, formando um bloco com o poder de pressionar o capitalista, mas tal união possui uma consciência reacionária; não tende à modificação, mas somente a uma satisfação de classe. Dentre as supostas três classes existentes, pelo menos duas delas são responsáveis pelas grandes decisões do país e pela manutenção do atual estado de coisas. Sobre isso, nem irei discorrer sobre a influência da classe alta. Na classe média, a chamada classe média alta equivale à burguesia das cortes francesas do século XVII. Época em que a burguesia tendia a aspirar à posição de nobreza, fazendo todo o possível para copiar todo seu aparato simbólico. Desta forma, a classe média alta vê-se sempre como possível classe a atingir a classe alta e obter, simbolicamente, o grande prestígio social que seria realçado de forma sistemática pelos meios de comunicação. Marx provavelmente não esperaria por uma situação aparentemente sem importância, mas que possui grande influência neste prestígio fornecido pelos meios de comunicação. Tanto no Brasil como nos outros países, a classe alta é tratada como celebridade. Seu padrão é colocado como o ponto máximo a ser atingido por qualquer indivíduo. Tornar um membro da classe alta numa estrela de programa, comerciais ou algo envolvendo meios de comunicação é muito fácil, quando considerado que eles mantêm relação intrínseca ou mesmo são donos destes meios. O fascínio exercido sobre a grande gama de despossuídos é imensurável. O processo de acomodação dá-se por meio da fantasia. A televisão aliena o povo através de um mundo fantástico que a todo o momento é idealizado pelos telespectadores. Assim, se fecham em suas casas e não se atentam às mudanças que podem ser feitas com seu próprio esforço. Esquecem que suspirar por uma condição tida como “superior” é ser a favor da situação na qual se encontra. A imprensa das celebridades tornou-se um grande e poderoso foco reacionário contra a qual a luta atual pela eliminação das classes torna-se muito árdua. A influência exercida vem desde a infância. A criança vê nos filmes que ser rico é o objetivo da vida de quem se preza. Era comum nas décadas de 60 e 70 o uso de cigarros nos filmes através das personagens. Isto criou uma geração de viciados influenciados por tais maneiras. Estas colocações servem para demonstrar quão poderoso é a influência destes meios. A todo instante o sistema cria novas formas que revigoram sua luta reacionária, que se dá em nível de consciência e mesmo de inconsciência. A luta de classes não deve se dar somente no nível das lutas sociais. Com a alienação sofrida por grande parte da sociedade, esta luta deve ocorrer no nível da consciência. É necessário acordar aqueles que sonham acordado. Tanto sonham que acabam deixando a hora em que as coisas poderiam ser feitas. Mas a conscientização e o senso altruísta de levar até eles informações devidas sobre seu papel no sistema, serão vitais para um sentimento de indignação, de mudança, de revolução.
Romance ainda em elaboração.
Pedro não era mau. Era um bom rapaz. Proporcionalmente seu alto porte não condizia com seus defeitos. Alguns poderiam alegar perfeição. Era sólido nos seus relacionamentos, firme nas suas decisões. O mundo era seu e tinha tudo à disposição. Quis a vida torna-lo uma espécie de Franklin Roosevelt e faze-lo atender aos pobres. Grande coração!
Pedro nasceu numa comunidade tranqüila. De tão calma alguns reclamariam da vida extremamente pacata. Porém, a cidade estava rumo ao desenvolvimento. Aos 12 anos, sem entender, ouve as pessoas falando sobre as novas oportunidades que teriam.
- Três fábricas este ano! Vou chamar o Toni pra levar seu curriculum – dizia Dona Flora às suas companheiras de solidão. Apesar de ter cinqüenta anos aparentava uns setenta. Sua utilidade já não servia a grandes propósitos e renegara-se à aposentadoria.
Pedro não nasceu há longo tempo, é quase nosso contemporâneo. Sua pouca idade inocentava-lhe o brilho nos olhos. – Fábrica! Fábrica! Falava pra si contente. - Perguntava-lhe o motivo e não poderíamos esperar por análises sociológicas. Rápido no gatilho dizia sempre - Progresso!
Talvez a palavra estivesse muito em voga. Ou em voga estariam aqueles que abusavam tanto desta palavra. Até nossos convivas consideram a vinda de fábricas um progresso. Confesso que não deixa de ser, mas existe seu limite. É preciso avançar sem que precisemos retroceder em algumas áreas. Infelizmente a cidade de nosso anti-herói estava como um filhote de jacaré. Um grande predador, mas que passa por situações as mais adversas durante suas primeiras fases de vida.
Sua infância foi marcada pela monotonia. Muitos consideram a vida monótona vizinha ao tédio. É inata ao ser humano a capacidade de querer ver-se sempre em apuros e de precisar do perigo como uma forma de dar sentido ou valorizar sua vida. Claro, a maioria não pensa desta forma, é algo instintivo. Pedro não precisa de adrenalina. Ele consegue manter a calma de um monge e respeita seus hábitos. Talvez isto seja um traço de conformismo, mas não era isto que iria diminuir a força de seu caráter.
Sabia disciplinar-se. Freqüentava o colégio pela manhã e à tarde estudava por conta própria. Nunca precisou de reforço escolar. Conseguia um tempo entre o final da tarde e início da noite para jogar futebol com seus amigos. Falta mencionar que era um bom cantor. Às noites apreciava a solidão e cantava para as estrelas. Sentia poder olhar além no espaço e observar quasares a anos-luz.
Não era tímido, apenas não sentia necessidade de beijar várias meninas de sua idade para provar sua masculinidade. Atualmente nossas crianças brincam de beijar, outras vão além e brincam de médico.
Certa vez Pedro, já aos 15 anos, passeava por sua rua - que se estendia de sua casa até sua escola, morava a menos de 300 metros desta; havia uma praça ao lado que ficava na esquina de uma rua com alguns bares e repleta de bêbados – quando viu um conhecido de sua idade ser ameaçado por outros garotos. Sentiu raiva pela covardia e partiu para a briga. No fim levou a pior, mas ganhou um grande amigo: Paulo.
Paulo, 14 anos, é um garoto de estatura média, tendo sete centímetros a menos que Pedro seus 1.65 eram realçados com um grande espírito e aparência saudável. Filho de pai branco e mãe mulata, traços caucasianos prevaleceram. Sua enorme espontaneidade surpreende para a sua pouca idade. De boa fala, argumenta sobre todo tipo de assunto e parecia ter a eloqüência de Cícero. Seu caráter era duvidoso, talvez eu não esteja dispondo de muitas informações sobre isto. Observei, apenas, pessoas comentando sobre seu temperamento, que variava da transcendental calmaria budista à agressividade néscia. Quando acuado pelos agressores eu não poderia descrever perfeitamente seu estado, mas parecia indiferente aos evidentes socos e olho roxo.
Desde então a infância dos dois jovens resumiu-se a passeios pela rua dos bêbados e às rotinas. Algo que virou hábito foi conversar sobre o futuro da cidade com a vinda dessas fábricas. Pareciam ser muito talentosos na arte da falácia.
Jean Jacque Rousseau afirmou que um homem seria fruto do meio. Poderíamos questionar a legitimidade desta idéia, porém, disposições materiais e bom ambiente familiar não são garantias de bom caráter. O homem tende a ser mau e isso aparenta ser uma característica de nascimento, algo da formação do cérebro. Pedro e Paulo possuíam as disposições materiais e bom ambiente familiar. Mas entre os dois poderíamos observar a existência de predisposições ideológicas. Suas vidas poderiam ser trocadas e ainda sim notaríamos que não foram exatamente as duas condições já colocadas que seriam a causa de certos pensamentos. Pedro, apesar de ser um bom sujeito, transparecia certas ambições. Quanto a esta última “qualidade”, todos os homens a possuem e é uma forma, na maior parte dos casos, de dar sentido às suas existências. Paulo raramente executava seu altruísmo e quando o fazia embebido estava de certo prazer; algo como beber quando se está com muita sede ou comer quando se está faminto.
Onde reside a perfeição? Alguns dizem que ela está no amor e outros falam que está na verdadeira amizade. Pode haver amor na amizade, mas perfeição é algo que está longe do ser humano. A amizade de Pedro e Paulo era sólida e transmutava tristezas em felicidades. Os gestos mais inocentes, os aparentes detalhes insignificantes representavam uma força maior nessa amizade que beirava a perfeição. Alguns poderiam acreditar que ali havia o dedo do destino. Prefiro apontar o dedo da casualidade e das conveniências que permitiram o estreitamento dos laços entre a vítima e o anti-herói. Por um lado havia o sentimento protetor e por outro o de gratidão. Inicialmente formaram-se desta forma, porém, ao longo do tempo, foram transmutados e tornaram-se novos sentimentos, duros como a rocha.
Não sou onisciente, portanto, não poderia descrever todos os fatos que cercaram a vida dos dois jovens. Mas considero que seria de grande importância enumerar uma série de fatores que resultaram num futuro não muito esperado a partir do que foi colocado aqui como presente. É preciso ressaltar que, como mero observador apenas, eu interpretei as situações à minha maneira. O senhor (a) pode ter sua própria análise acerca dos dois companheiros e jamais diria que está errado (a). Tenho a oportunidade de aqui mostrar como acompanhei com interesse essa história e emitir o meu jugo, que por sinal pode até estar equivocado. Não pretendo entrar no mérito de qualquer questão com os senhores.
As heranças culturais da pacata cidade impregnaram valores que não são bem conhecidos dos povos das metrópoles. Não que estes últimos sejam desprovidos deles, mas o “progresso” traz retrocessos no campo da moralidade. Os homens constroem conceitos e a partir deles vê o mundo. Eles acabam por gerar modos de se relacionar com a natureza e com os outros homens. Chega um momento no qual o suposto nível de “civilidade” – que seria o ponto máximo de distanciamento dos animais – começa a decair – supostamente decai -, e pouco a pouco o verdadeiro homem assemelhando-se vai a um animal, fazendo jus ao análogo “do pó veio e ao pó voltará”. O homem possui seu corpo privado e o oculta do público, e para este possui o corpo público que é apropriado pela sociedade em suas mais diversas formas como um quadro para exposição. Este corpo equivale ao pensamento ou a suas manifestações entre seus semelhantes. Algumas vezes existe o que pensa e o que quer que os outros pensem. Desta maneira, nunca podemos afirmar uma autencidade. Talvez nossos personagens sejam um tanto ilegítimos neste aspecto. O mesmo poderia afirmar do caro Rodia. Somos aquele que pensamos ou simplesmente o que vemos como reflexo no espelho?
Poema - Anjo

que congela e ao mesmo tempo aquece;
perto de ti o chão estremece;
em sonhos de ti há o meu pernoite.
E pernoitando atravesso mil noites
e tais noites não se acabam com as horas,
porque pra mim as horas se tornam mortas
e em ti resumo o meu infinito.
Feliz por te imaginar.
Feliz por contigo estar.
Contente a ponto de viver a saltar.
Contente por sentir o seu ar...
Entretanto a vida põe adversidades.
Superar-me, tento a cada nova dificuldade.
Se eu puder, reclamarei ao mundo que sou o mais forte,
porque encontro em você o meu mais formoso norte.
E norteando minha vida cavalgo, ando, piloto.
Faço o possível e o impossível.
Não conseguir nada com tua inspiração seria opróbrio.
Portanto, fraco com ti é inadmissível!
Es tu aquela quem me arranca o suspiro
e que me torna o mais iluminado espírito.
Eis o momento para a verdade ser dita:
Amo-te! Minha querida... musa juíza!!!
Tuesday, December 26, 2006
Poema - Tenacidade

Nunca uma lágrima teve repleta de significação
Com quantas linhas podemos compôr o admirável?
Na nossa História sentimento de outrem, existe?
Como a ponte que fornece o suporte e a passagem
Que é o meio quem corrompe o homem já foi dito
Assim como o homem que deixa a pedra e conhece uma cama que lhe apraz
Infelizmente a ignorância existirá enquanto houver humanidade
Sunday, October 15, 2006
Sobre a Coréia do Norte, reportagem do Fantástico
guns destes jornalistas foram até o país e apresentaram para o povo brasileiro aquilo que seria a visãoestunidense acerca do regime comunista existente no país. Ora! Quem é o maior inimigo do comunismo senão o capitalismo?E quem a representação do pleno capitalismo no mundo senão os Estados Unidos? Eles que provacaram várias sançõese embargos, querem comprometer mais ainda a estrutura do país e apresentar ao mundo que o comunismo leva à miséria.A fome provocada no país é provocada, em boa parte, pela política norte-americana de isolamento da nação. Desta forma,acaba sufocando e minando a força do regime, provocando turbulência e descontentamento. Mas, assim como Cuba, aCoréia do Norte está dando a volta por cima, e inicia seus experimentos com as armas nucleares e com a energia nuclear, aprimorando-as.A reportagem acaba mostrando aquilo que os EUA querem que o mundo veja: que seu capitalismo é a salvação; e acaba esquecendo que o próprio capitalismo é o mal do mundo. Que a usura gerou o capitalismo e já foi o maior pecado. O sistemacapistalista originou-se do pecado! Nada mais lamentável. A tv aliena e faz com que os fatos sempre fiquem a favordaqueles que nos dominam. O dominador acaba exercendo certo fascínio sobre o dominado, e este deixa-se encantar, ou talvez,opções não lhe restam, talvez só haja uma opção já que as fontes são restritas quando não inexistentes. Mas a conscientizaçãofará com que o povo não acabe acreditando nas versões de uma emissora que aliena o povo com novelas e com mentiras. Wednesday, October 04, 2006
Bela, perfeita e... sempre falível Constituição!

Esta é na nossa bela, perfeita e... sempre falível constituição:
Título II
Capítulo I: Dos direitos e deveres individuais coletivos
XLVI – a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
XLVIII – não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de trabalhos forçados;
c) de banimento;
d) cruéis
...
XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
Eis o Brasil. Prazer em conhecê-lo? Talvez não, provavelmente já o conhecia.
O Capítulo já dá a idéia de que veríamos direitos e deveres colocados igualmente para todos os cidadãos. Mas o brasileiro que tem uma longa jornada de trabalho pra alimentar sua família com o insuficiente salário mínimo tem seu direito assegurado na nossa, repetindo, bela, perfeita e... sempre falível constituição?
Alimentamos bandidos, a máquina do Estado funciona de tal forma que o imposto que pagamos irá pagar a roupa e as três refeições diárias daqueles que são um perigo para a sociedade. Claro, não serei injusto. O crime é resultado de uma série de fatores sócio-econômicos e de uma psicologia social que acaba alimentando tais atitudes em algumas pessoas. Mas existem outras formas de punir o crime daqueles que de certa forma só fizeram aquilo que consideraram, mesmo sendo de forma errônea, o crime como forma de ganhar seu pão. Não sugiro algo próximo da ilha de Utopia. Mas nossas leis precisam ser radicais, pois problemas emergenciais necessitam de medidas igualmente emergenciais.
Alimentaremos vagabundos que mataram? Faremos deles meros frangos de engorda que depois irão voltar para as ruas e causar o mesmo terror de antes? A estrutura dos nossos presídios não somente favorece o crime, como o alimenta e o especializa. O preso ao sair torna-se propenso à atividade criminosa como se disto dependesse sua vida, como se fosse sua razão de ser. Claro, deveria haver a condução e todo um trabalho para tornar o detento pronto para a vida social. Mas a monotonia dos presídios e a insuficiência de recursos conseguiram dar conta disto quando? Do vermelho não sai, é necessário que o Estado coloque tais indivíduos para trabalhar. Mas nossa bela, perfeita e... sempre falível constituição não admite trabalho forçado. Existe maneira melhor de pagar o crime, pagando primeiramente sua estadia? As prisões brasileiras transformam-se em colônias de férias e facções dominam várias regiões do país exercendo, em alguns momentos, um poder paralelo ao do Estado. Eis a nossa bela constituição e perfeita nas suas conseqüências!
Argumentariam que é desumano demasiadamente desumano. Então Nietzsche surgiria, conversaria com More e resolveria nosso problema. Milagres não existem, voltemos ao real.
O experiente Karl Marx afirmava que “o trabalho dignifica o homem”, Lula não desmente a barba de Marx e afirma o mesmo. Mas a ociosidade fará dos detentos seres dignos? Perderam sua dignidade ao cometerem o crime, mas eles irão recuperá-la no presídio, esta seria a idéia, porém não é a práxis. Enquanto nossos impostos fizerem a manutenção das roupas brancas com listras pretas nosso país terá criminosos hibernando. A solução está na modificação da constituição e na exclusão de uma série de parágrafos que somente tendem a atrasar o país. Diriam os conservadores que não deveríamos voltar à Idade Média, porém eu argumentaria que não deveríamos nos manter estáticos à situação. Propostas são sempre bem vindas e a hora não é de conservar nada, já assimilamos muitos conceitos estrangeiros e não devemos apenas construir nossa sociedade à base do jeitinho.
Monday, September 04, 2006
Mil e uma maneiras de buscar a felicidade. Invente a sua.

Sempre buscamos a felicidade e podemos obtê-la das mais diversas formas. O sadismo possibilita o entendimento disto da forma mais cruel, a dor que traz o prazer e esta pode desenvolver uma felicidade temporária no indivíduo. Logo este voltará à sua tristeza habitual, não dirá que está triste, consegue ser cínico o bastante pra dar desculpas sutis. Há quem vê a felicidade nos gestos mais simples e há quem encontre na auto-mutilação uma forma de prazer, um método estranho para alcançar sua felicidade. Não faço referência tão somente à carne, não... , mutilamos pensamentos! É uma mortificação da mente, assim como a carne dos membros do Opus Dei, mas essa é uma outra história.
Querer nada é querer algo, não deixamos de querer algo. Talvez alguns queiram levar uma vida naturalista, assim como um Colombo que na Nova Terra que quisesse ver-se livre dos seus semelhantes e apreciar exclusivamente a natureza, sem pensar no amarelo que movia o mundo de outrora, que oferecia algo exótico, para ele humanos bestiais, mas estes também não interessavam, melhor para ele seria observar o cantos dos pássaros e o vai e vem das inumeráveis plantas e árvores. Era Colombo um niilista naturalista?
Risos à parte, o niilista é aquele que procura uma forma de interação diferente da habitual, este é o senso comum, homens que não querem se prender tanto à moralidade e aos valores, querem reinterpretar tradições! Estranhas maneiras, mas isto é a busca da felicidade e podemos fazer isto das mais diversas maneiras. Não importa o que faça, nunca deixará de ser o homem propenso às fraquezas da carne e da mente.
Wednesday, July 19, 2006
Poema - Reflexo do Ser

O meio fabricou a dor.
Moldamo-nos às coisas pela metade.
O universal nunca alcança seu esplendor.
Ao conhecermos o próximo somos sábios,
e ao conhecermos a nós mesmos somos iluminados.
Tais são pensamentos de alucinado,
ou a verdade choca seu pudor?
A ignorância norteia nossa sociedade.
Confesso que nos sentimentos mais nobres há resquícios de maldade.
A felicidade nunca é plena, somente enquanto dura.
Às penas nossa vida é feita por tentativas de conduta.
Se teu pudor está fragilizado,
à duras penas conseguiu tal virtude.
Quem se envergonha diante do espelho,
ao ver o próprio reflexo do despeito?
Se perdeu a esperança no bom senso,
tu não és o único meu amigo!
Mas confesso que é melhor sonhar acordado,
do que acordado sonhar que está dormindo.
Zumbidos que atormentam as almas dos inocentes.
Inocentes? Onde? Talvez esteja eu sendo displicente.
Mas quem sabe esteja eu com a certeza,
de tentar fazer com que você veja a podridão que é.
As rimas se perdem em tentativas não válidas.
Sem validade também são as ações humanas.
Sabe que morrerá quando a sua feição está pálida.
Sempre pensamos assim nas nossas incertezas do nada.
Sunday, June 25, 2006
Poema - Instinto e Sentimento

O amor ao corpo ou o amor à essência?
Dizes tu que a segunda é consequência
do amor carnal, instinto animalesco.
Sou carne e osso prontos a apodrecer.
Você é um inseto prestes a padecer.
Somos vermes incapazes de ver
toda a ação que causa um efeito de dor.
As futilidades que uma mente produz.
Futilidades quais? Sua arrogância o conduz
para o beco das mil solidões, palavra arcabuz
que irá flechar um dia tua pobre prepotência.
Somos vermes, já disse, isto está dito!
Não faço disso para todos um veredicto.
É uma opinião minha, sugestão decrépita
que faz da natureza uma entidade velha.
Ame o sangue, ame as secreções, ame o odor.
Ame a carne, ame o osso, ame o suor.
Ame as vísceras, ame o podre, ame a dor.
Ama o amor? Ama o valor? Ama o pudor?
Os vermes que comem almas sensabor,
lambuzam-se num mar infinito de calor.
Altas temperaturas do falso moralismo;
da falta de vergonha para falsas virtudes!
Realmente você cairia aos prantos,
se da cabeça cabisbaixa tirasse os panos?
Estes não conseguem revestir a paixão
que dos tristes pensamentos encontra sua consolação.
Você cultua o corpo assim como as formas.
Quem se importa hoje com o conteúdo da obra?
É o instinto que vai fazendo o homem moderno.
É o pensamento que institui o culto a um sentimento terno.
Termina assim todo o oceano de justificativas.
Acabam-se, portanto, todas as prerrogativas.
Mais nada importa para as escolhas: pensamento/sentimento.
Sentimento/pensamento... e o instinto vai regendo.
Wednesday, May 24, 2006
Um amor, sob capa de carta, para X
Sem charme, sem elegência e sem cores
Tento traduzir ao simples
Aquilo que perspassou o maior dos amores
Não sou poeta letrado
Tento apenas ser um amador treinado
Que a ti não só faz juras de amor
Mas que tenta te mostrar o céu, a felicidade...
E de certa forma a dor
Ó Minha Princesa!
A maior das rainhas!
Livre-me das presas
Da "dor sem ti", erva daninha
Você consome meus pensamentos e meus sentimentos
Você é a "tal" estrela que ofusca o brilho de todas as outras
Não me deixe nunca, jamais, ao relento
Daquelas que não me satisfazem, as outras
Apenas resumo aqui X
As palavras finais daquele poeta treinado
Que passe o tempo, passe a vida ou a inocuidade do nada
Desejaria! Adoraria!! Amaria!!!
Que para sempre fosse a minha namorada
Ass: De um pobre plebeu, para uma nobre rainha.
Feita num dia recente, para toda a eternidade.
Wednesday, May 10, 2006
Eu sou eu. Sou o que Sou.
Ou sou o que me dizem?
Mas eles se contradizem?
Deixem-me pensar
Quero um mundo altruísta
Sem esmeros nem devaneios
Sem o menor pensamento alheio
A menor coisa que o possa manchar
Querer é saber
Saber é poder
Temos sede de poder?
Ou temos medo de perder?
A vida que com o tempo é nada
Do nada veio e para o nada voltará
Um dia do que isso se chamará?
Não sei, deixem-me pensar
Um mundo que se criou das incertezas
De incertezas viverá a sua alma
Será pobre decaída, vaga
Temos lá na fundo, nossa própria jaula
Tudo isso pra saber o que sou?
Ou tudo pra saber o que serei?
Tenho receio, talvez um dia morrerei
Quem sabe, para comigo a morte terá pudor
Meros devaneios de uma mente megalomaníaca?
Ou sede inata à uma mente aventureira?
É como se sentir debaixo de uma cachoeira
E no fim sermos incapazes de fazer o fluxo voltar
Sei lá o que vc sabe sobre amar
Sei cá que impossível é amar
Teria você a sede de matar?
Ou se lamentaria vendo a morte do teu querido?
Escrevo para passar
Talvez para lamentar
O fluxo sei que nunca voltará
Tal impotência... nada me consolará
Teus caminhos são estreitos?
Precisa de novos respeitos
Sinta-se com sobejo
Ah ha! Grande desrespeito!
Findou-se meus devaneios
És meu mundo, nada de altruísta
Quem sabe um dia, alguma alma nobre vista
O lindo traje das ilusões
Monday, September 19, 2005
Governo Lula
| Muitos equivocos foram cometidos pela sociedade desde o entao escandalo do mensalao. Na pratica, o mensalao nao foi comprovado(o mensalinho sim). Mas de qualquer forma nao devemos esquecer o grande avanço do governo no nosso pais. Eh preciso lembrar que uma federaçao eh composta de estados e estes de municipios que devem aplicar os recursos do governo. Quando um municipio recebe uma verba, cabe ao governante investir com sabedoria, visando o bem social. Nao eh tarefa do governo dirigir seus esforços diretamente para os municipios, e sim para o governo do estado e este redistribui para os municipios. Uma federaçao precisa ser forte. No campo das relaçoes internacionais o pais se tornou mais forte, tanto economicamente quanto politicamente. O Brasil assumia claramente sua posiçao de liderença hegemonica no bloco da America Latina. Com isso, nosso pais ficou mais propicio a investimentos e novos negocios foram abertos, fazendo com que as exportaçoes batesse recordes a cada ano. A economia eh reflexo da politica, mas no nosso quadro, a crise politica nao abalou a economia que seguia com a mao invisivel do mercado, graças a administraçao do senhor ministro Palocci. Com tudo isso, tivemos uma economia estabilizada e o governo Lula continuava a atrair o povo que o elegeu. Mas como poderia fazer o povo para voltar-se contra o governo? Estourou a crise politica, e por causa de mas atitudes politicas por parte de membros do governo, a credibilidade de Lula fica ameaçada. Mas antes de pensarmos qualquer coisa contra o governo eh preciso salientar que ele fez mais avanços que a gestao anterior. Nao devemos perder a confiança no presidente por causa desses eventos que nao refletem a situaçao de melhorias no nosso pais. E eh preciso lembrar que eh tarefa do legislativo procurar fiscalizar e adiantar os compromissos do Estado. Foi preciso comprar a boa vontade dos deputados que jah ganhavam pra trabalhar para o povo. Para poderem nao emperrar os projetos, foram pagos para adiantar os processos. A culpa foi de quem pagou, mas muito mais de quem recebeu. Devemos lembrar que o dinheiro envolvido foi do fundo partidario, que mesmo sendo de contribuiçoes, nao provocam danos ao sistema economico, mas de qualquer forma isso continua sendo ilegal e errado. Devemos nos conscientizar disso. A oposiçao ira alimentar uma ideia suja do governo ateh as proximas eleiçoes, a midia acaba perdendo sua imparcialidade e critica sutilmente o governo. O que eles querem eh formar nossa opniao de administraçao do pais a partir deste fato. Eles acabam ofendendo nossa inteligencia! Acham que somos as mesmas marionetes que o elegeram, mas a realidade nao eh bem essa. A partir do momento que sabemos o que eh melhor para o pais, iremos abandonar o que eh melhor para ele por causa de atitudes que nao foram corretas mas que no fim eram melhores para a sociedade? A oposiçao acabou sejando a imagem do pais, os 47% das naçoes a favor do Brasil certamente irao ver a imagem da imprensa brasileira e consequentemente a imagem suja do pais, os planos excelentes para o desenvolvimento nacional podem ter ido por agua abaixo por causa dessas acusaçoes irresponsaveis, fundadas apenas a partir do direito parlamentar. OBS: Valdemar Costa Neto, critico assiduo do governo estava no esquema. Muitos que criticam tem seus podres escondidos debaixo do tapete. Enquanto ninguem descobre eles apenas tentarao alcançar o poder por meio de uma campanha de difamaçao. Severino Cavalcanti eh outro que criticou, mas que no fim acabou envolvido no mensalinho(praticamente comprovado). Roberto Jefferson(cassado), utilizou seu direito parlamentar para ser grosso e irresponsavel. Ele sim foi o malandro, e aproveitou que as evidencias de investigaçao poderiam incrimina-lo e quis passar a imagem de heroi enquanto na verdade era o maior vilao. A eloquencia se suas palavras certamente farao muitos acreditar. Mas nos temos a consciencia e saberemos discernir o certo do errado e saber dar credito ao que mais importa para nos brasileiros. |
Saturday, August 20, 2005
Vírus Homo Sapiens
Thursday, July 07, 2005
A moral: um Bem ou um Mal?
| A moral como forma de manipulação do caráter do ser humano é apenas uma preocupação, e uma instigação do pensamento, desnecessária. Dever-se-ia ponderar sobre o que realmente é o homem, e o que ele poderia beneficiar direta ou indiretamente à sua volta. Regrar o instinto humano significa domá-lo, mas isso não significa que a fera, dentro de cada um de nós, se acalme e que deixe de ser instintiva com o meio à sua volta. O homem, assim como qualquer outro animal, nasceu para ser livre, mas a inteligência foi um meio evolutivo que o fez se sentir preso. De se sentir preso na sua própria liberdade. Com quê intuito surge a moral? Talvez seja o de tornar o homem submisso. A moral criada para regrar o homem surge na verdade com o intuito de torná-lo mais vulnerável e mais alienado a decisões que o colocassem no front da batalha das classes, da ganância e do poder. A moral vive das crises sociais e, das convivências pessoais de cada indivíduo. Busca no cotidiano, exemplos plausíveis para a sua enorme capacidade de se transmutar a cada experiência e demonstrar como os valores poderiam ser a mais pacífica forma de contornar situações difíceis e que exigiria maior boa vontade e complacência por parte do ser humano. Como seria a humanidade sem a moral? Questionaríamos a humanidade com a moral, porque é a única dedução que teríamos dos acontecimentos à nossa volta, todavia, a moral está impregnada nas nossas mentes e nos nossos atos desde o nosso nascimento. É uma marca registrada de uma determinada cultura, é a maneira mais fácil de “identificação” do indivíduo. Talvez a inteligência trouxe a moral como alavanca do aprimoramento dos primitivos, e assim fez com que estes se sobrepusessem aos limites impostos pela seleção da natureza. Honrar os mortos, cultuar e respeitar divindades foram os primeiros passos para isso. A moral colocou o homo sapiens no topo da cadeia alimentar. Este passou a ser o mais letal entre os predadores. A moral fez com que os homens passassem a se respeitar e que houvesse o espírito de humanidade dentro de cada um deles. Claro que se traduzindo para o contexto atual ou simplesmente analisando-se a história, comprovaríamos uma clara contradição. A moral pôde, e provavelmente poderia continuar, a tornar o homem mais civilizado, mas em troca desse progresso muito sangue foi derramado e a vida por muitas vezes chorou. A moral pode ser um regresso ou um progresso, pode ser boa ou ruim, destrutiva ou benévola. A moral é uma ferramenta, e como uma, pode ser usada e descartada. Mas cabe ao ser humano postar-se a seu favor ou contra, ou manter uma posição sobre o verdadeiro intuito de sua criação. |
Tuesday, June 14, 2005
O homem e as armas
| Paus e pedras. Estes foram as primeiras formas de se matar, mas não por disputas territoriais, e sim pelo alimento. O homem elevou-se na selva, sua habilidade especial fez com que se distinguisse dos outros animais, em pouco tempo se tornaria o soberano da selva e posteriormente do mundo. Suas conquistas mais significativas haviam sido o sedentarismo, até então um luxo. Não habituados com o meio hostil, constantemente se mudavam à procura de alimentos e os animais selvagens o expulsavam, antevendo o seu futuro. Pau para o fogo, para se defender e para matar. Pedra para triturar alimentos, quebrar ossos e como ferramenta da morte também. Em pouco tempo, os tocos virariam lanças e os pedregulhos se tornariam parte de utensílios eficazes tanto na caça quanto na guerra. Surgiram as primeiras formas de conquistas. Era necessário a tomada da terra de outros povos para seu próprio uso. A linguagem da força manifestou-se pela primeira vez de maneira evidente. Homens começaram a se matar, as primeiras terras foram conquistadas, se formaram as primeiras milícias; o homem organizava primevamente seu arsenal militar. Novas formas para matar foram surgindo, assim como sua utilidade no campo, era preciso a defesa dos territórios, barricadas foram criadas, posteriormente muros com pedras e consequentemente fortificações praticamente inexpugnaveis. O tempo, a guerra e as crenças evoluíram, assim como a maneira de viver. Deixamos a selva para conquistar o mundo, agora éramos donos do além mar e até o horizonte nos pertencia. Besteiros eram capazes de acertar alvos à muitos metros, as sua flechas eram capazes de atravessar armaduras e causar a morte em instantes. Catapultas tornaram o que antes era considerado inexpugnavel como sendo apenas questão de tempo, os massacres se tornaram cotidianos da guerra, o sangue molhava a terra e fazia crescer árvores de esperança, mesmo quando tudo parecia estar perdido. Em nome de crenças, genocídios foram cometidos e a morte passou a ser uma especialização. Com o advento da pólvora,os assassinatos se tornaram mais rápidos e eficazes, até evoluírem ao ponto de poderem matar milhares de uma vez só(Hiroshima e Nagasaki). Agora o homem tem "lanças" que disparam centenas de rajadas de fogo por minuto, e que é capaz de mudar drasticamente um território político apenas com o apertar de um botão, que guia a explosão da morte através do céu. A morte não é mais tão cruel para quem mata quando não se vê os rostos das vítimas. É como se não pudessemos sofrer por alguém que nunca vimos, mas que sabemos que existia e que sem podermos lamentar se foi. Ao menos no passado, um homem poderia sentir remorsos ao enfiar sua espada nas entranhas do seu oponente, sentindo sua agonia, seu medo e sua dor. Esse remorso diminui ao ponto de não restar nenhum vínculo entre humanos combatentes. A força da superioridade tecnológica é o que prevalece enquanto a raça humana padece. Mas há de chegar o dia em que os seres humanos deixarão suas diferenças de lado e se unirão, assim como fizeram imensos povos ao confrontar suas crenças, em torno de um objetivo comum. Talvez seja pra reconstruir o mundo depois de um grande desastre militar, ou talvez por desastres ambientais, ou por tragédias vindas de algum lugar remoto do espaço. Mas o que falta mesmo no ser humano, é perspicácia para entender que o que falta mesmo no mundo é compreensão e abdicação de valores egoístas. |
Friday, June 03, 2005
A dor que faz a arte

Se versos lindos de um poema triste |
