Sunday, March 01, 2009

Minha amada e eterna vó Rosália

Domingo, 1 de março de 2009. Estou digitando sobre a pessoa que foi muito importante para a construção de meu caráter e de minha personalidade: minha avó.
Ontem, Sábado, 28 de fevereiro, a senhora Rosália Ferreira dos Santos veio a falecer. Morte inesperada e ao mesmo tempo esperada. Inesperada porque foi acometida
subitamente por um derrame e esperada devido ao nosso conhecimento da gravidade da situação. Minha "vó Rosália" sofreu AVC Hemorrágico Generalizado. O quadro mais
delicado entre os derrames existentes. Não se sabe dizer se houve dor porque atualmente a ciência é incapaz de dizer. Com certeza a dor de sua ausência é sentida e permanente.
Sempre foi protetora felina de seus filhos e netos. Seu coração, tão enorme, irradiava carinho maternal. Abraçava seus amados com um amor divino. Pude conhecer na infância a severidade
de seus ensinamentos. Ao crescer pude ver como ela me olhava cheia de orgulho. Contemplando ao seu neto. Com seus olhos cheios de carinho de mãe. Querendo fazer todo o possível por mim.
Abdicaria de qualquer coisa por meu bem estar. Condoia-se constantemente por minha ausência, isto a deixava doente. Fazia planos e todos seus planos envolviam a felicidade de seus netos.
Ainda restavam muitas coisas para presenciar, viver e mostrar a minha avó. Essa perda repentina nos negou a chance de ter mais momentos felizes, de descobertas e aprendizados. Mas, com toda certeza, poderei levar pelo resto de minha vida o que aprendi com esta majestosa mulher. Com esta senhora que ajudou a me criar e que é uma das grandes responsáveis pelo homem que sou. Quem ler esta mensagem saiba que dona Rosália Ferreira dos Santos foi um dos poucos seres humanos raros, puros de coração.

Tuesday, January 13, 2009

Somos filhos de Deus



O que é esse grande caos que reina em nosso tempo? As pessoas mal se conhecem. A população cresce e se encarcera. Formam-se enormes cubículos sociais. A é alta, B é média e C é baixa. A segregação é visível nas taxações e a possibilidade de ascensão das camadas economicamente inferiores é remotamente baixa.

O diálogo, que por tanto tempo foi cultivado, torna-se restrito às superficialidades e conveniências tecnológicas. As letras são vistas no computador e a pessoa é ouvida através do celular. O contato humano, o calor da aproximação é perdido. Éramos capazes de sentir a emoção do outro. Agora, tentamos adivinhar intenções que são quase sempre voltadas para interesses estritamente particulares; sem nenhuma vinculação com o todo.

O sentimento de ser um ser humano é perdido. Cordialidade, respeitabilidade, amabilidade, entre outros, deixam de partir do ímpeto sadio do coração e se transformam, forçosamente, em traços da chamada boa civilidade. Refreamos algumas atitudes, pensamos em outras e agimos com a intenção de obter resultados. Somos reflexo do sistema e nosso pensamento é codificado e processado de acordo com a realidade em que estamos inseridos. Ridicularizamos ou olhamos com estranheza tudo aquilo que não pertence a nossa realidade que insistimos de chamar de a verdadeira.

É difícil saber se o problema está no sistema. Mas o sistema é criado pelas pessoas. Então, existem aqueles que impõem sua visão de mundo para a sociedade em que vivem. Num infinito de realidades, seguimos as idealizações de alguns. O caminho para o bem estar passa a estar no caminho de outro. Caminhos e pessoas são diferentes. Atalhos não servem para todos. O pensamento nos causou desgaste. Seguimos idéias e esquecemos os conselhos do velho e bom coração. O coração é universal. Ao buscar em si respostas o homem obterá semelhantes resultados para a busca da harmonia e da paz. O homem saberá ao buscar em si que deve resgatar o que foi perdido e desgastado de sua relação com o outro. O homem de nosso tempo deve deixar aquilo a que chama de propriedade privada possa dar a entender que aquele espaço é só e somente só seu. Somos todos filhos da natureza. Somos dono de imensos e ao mesmo tempo estreitos direitos. O que importa é que nosso direito termina onde começa o direito do outro. Devemos resgatar os laços de irmandade. Todos nós somos filhos de Deus.

Sunday, January 04, 2009

A mente de Deus


Desde tempos remotos o ser humano vem buscando o sentido de sua existência. A finalidade/objetivo, o porquê de estarmos aqui. Quem nos criou? De onde viemos e para onde iremos?

A inquietação sempre reinou no espírito humano. O despertar da consciência permitiu que tanto o espaço exterior quanto o interior pudessem ser explorados e modificados de acordo nossos caprichos/anseios/desejos.

Autodenominamos-nos seres humanos. Já haveria outro nome para nós? Nosso despertar é casual ou provocado pela natureza à nossa volta? O universo criado a partir de engenhosa precisão fez “nascer” de fótons a matéria. Esta deu origem ao inanimado que por sua vez criou os seres vivos. Como e por que ainda resta saber. Segundo a física quântica um tempo imensurável é responsável pela estruturação do RNA. Esse universo que surgia repleto de energia se expandia além de limites desconhecidos e gera a consciência em seu seio.

Os propósitos universais atendem exclusivamente a esse despertar da consciência humana? Sermos considerados os únicos em meio a esse infinito infinitamente não explorado é arrogância. É medo de pensar que não somos tão especiais quanto pensamos. Ser especial nesse caso é ser considerado o ser vivo eleito por uma Providência; aquela que reorganizou o caos e deu vida ao inanimado. Todos nós somos especiais. Justamente considerar que a morte do corpo é a morte do ser, amedronta. Esquecemo-nos que o universo foi criado através de energia. Nas fontes religiosas sempre temos a figura de Deus fazendo uso da energia para criar. Tudo é energia. Não morremos, nossa energia se dissipa. Damos origem àquilo que ainda não sabemos. As religiões afirmam que essa energia é alma e irá para um lugar sacro ou de punição, de acordo com a conduta que tivemos durante nossa vida entre homens.

A consciência surgida é objeto de nossa reflexão. Apesar dos grandes avanços da ciência restam enormes mistérios que não sabemos se serão desvendados um dia. No nosso cérebro, os neurônios são responsáveis pela transmissão de informações. Nossas lembranças, nossos pensamentos, o que criamos; o que somos; tudo está lá. Essas informações são energia. Quando agimos a energia atravessa os neurônios. Nossa consciência é energia. Somos ligados ao meio exterior, podemos compreender o que existe a nossa volta através da própria ferramenta que o universo nos ofereceu. Experiências místicas afirmam que na meditação e pensamentos profundos é possível perceber/sentir o universo. As religiões souberam captar isso. Essa organização existente na nossa mente foi tida como um despertar provocado por uma inteligência superior. Chamaram-no de Deus.

Subestimamo-nos? Somos capazes de sentir o universo e sermos íntimos de tudo aquilo que existe. É como se nossa condição humana por instantes pudesse deixar de existir e nos elevar a um nível de compreensão que se funde à natureza. Percebendo não somente nossa condição, mas o sentido do que existe. A harmonia é uma das respostas dessas experiências. As doutrinas religiosas atendem a esses propósitos universais. Conceitos como amor, paz, união são tudo aquilo que o universo nos responde para que não façamos da consciência objeto de autodestruição. O caminho para se chegar a respostas sobre o que somos, de onde viemos e para onde iremos não estará nas escrituras nem em templos. Ela estará em nós. Encontramos sempre quando ao invés de buscar nos céus nos voltarmos para o nosso interior. Somos energia. O universo é energia. Deus está em todos nós. Somos Deus.

Saturday, July 19, 2008

Poema - Vitória




Linda ninfa dos campos Elíseos

cujo charme revelam-lhe a essência da flor

que desabrocha em perfume causador do amor.

Repleto do segredo: Caminho para o Paraíso.



Sua cintura, acentuada, de contornos instigantes

é o ópio do desejo de chamas flamejantes.

E antes que em mim se opere um alvoroço,

a ordem, no meu caos, é a lembrança do teu rosto!



Sua pele, tão macia, me impele a te tocar.

Seus lábios gostosos

de tão apetitosos,

nunca irão me saciar.




Mas, não pense, minha querida, que só existe o desejo.

Numa forte paixão sempre existe sentimento.

E para muitos isso já foi o maior dos tormentos

dos milhares Jovem Werther; platônicos da dor.




Seu sorriso é enigmático e ao mesmo tempo encantador.

Verdadeira Monalisa; obra-prima do Criador.

A leveza dos teus gestos possui a mágica das fadas.

Um anjo de menina com artes de malvada!




Saiba, minha querida, que pode sempre contar comigo.

Pois, além de namorado, também sou seu amigo.

E sei que é apenas o começo de uma linda história...

No amor, com certeza, já tenho a minha vitória!

Tuesday, July 01, 2008

Poema - Diálogo com Deus




E o infinito era vazio,
de um frio insuportável,
mas aquele era o memorável
para a posterioridade ficar.
Pois, é o grande organizador
do explicável e do inexplicável
e este meu jeito lamentável
não poderá bem explanar.
De tentativas
o quase existe;
o inacabado subsiste
e assim muitos desistem.
Porém, não é certamente isso
que do meu objetivo irá tirar.
Desta forma, bem que eu poderei explanar
seja de que jeito for.

Sou um criado,
recriado e moldado
pelo meio à minha volta.
E não sou aquele
a escrever sobre linhas tortas
nem andar por cima das águas.
Não conheço o Aconcágua,
quanto mais o Salvador.
Mas a histórias passam
e sendo repassadas seguem seu caminho.
E será este o destino
de nossa cultura desregrada?

Um ser uniforme
e ao mesmo tempo disforme.
Figura esbranquiçada
que invisível se torna.
É o começo é o fim.
É o nascimento de José;
é o falecimento de Caim.
De todo começo sempre saberá o triste fim.
De todas as sortes sabe
e não se apraz com os conspiradores.
Serão estes os desertores
de todo o ideal divino?
Sua bondade magnânima
de tão grande é invisível
e deve ser por isso
que muitos se sentem preenchidos.
Quanto ar! Quanto ar!
Preencham-se de verdade.
Apenas não esqueçam a vontade,
pois, a intensidade faz estourar.
Nem tudo estourado tem graça
pois se perde a mágica
escondida no ar.
Então, este é um ser mágico?

Organize e crie meus sonhos,
diz o menino.
Em prece a oração segue firme
e em sua voz,
o timbre
não o denuncia vacilar.
Hesitação, calafrio.
E o brio do olhar alcança a fé
e de pé o garoto se põe a rogar.
E há muito tempo,
esse garoto mal sabe,
que um ser
tal como uma nave,
o universo se dispôs a percorrer.
Harmonizou o caos,
deu vida a matéria.
E pôs tudo que existe
pedra sobre pedra.
Eis que o desejo se consome
e desse ser surge o homem!
Ohh menino,
seu primeiro pai,
Grande pai!
Deixou uma herança
que de bonança nada tinha.
Então não é esta a obra-prima
que da eternidade o fez voltar?

Haveria um outro sentido
na outra metade da laranja?
Haveria necessariamente que haver a dor
para que houvesse a esperança?
Se o sentimento ruim existe
certamente é porque se fez necessário
então a idéia de alcançar a luz
parece ser mais conto do vigário
que, vigarista,
arrisca e petisca
as mais nobres intenções
de entender as origens,
seja através da ciência
ou através dos sermões.
Não foi Camões
a contar a História de Portugal?
E não seria ele o único frugal
a ter tal empreitada de paixão?
Onde residirá a força e a capacidade
de me fazer no tempo voltar?
Isto parece ser impossível.
Esses versos já chegam ao fim...

Engana-te,
Ó jovem!
Eu sou aquele
que tornado um ser vulgar
aprisionado foi
no esquecimento humano
e este é o maior ato desumano
que um mito pode vir a sofrer.
Já fui chamado de Alfa
e também de Ômega.
Fui um dos primeiros "Início".
Meu poder é real.
Enquanto existir o sobrenatural,
a crença e a metafísica
toda a minha mística
será inculcada no inconsciente.
E displicente será aquele
que de mim duvidar.
Não tenho poder para punir com fogo e enxofre
já que o maior dos poderes,
a alienação,
não está ao meu alcance.
Não obstante,
nesse instante,
poderei levá-lo ao Início de tudo.

Que maravilha!
Do tempo
era o senhor o dono.
Ó Chronos!
Nunca maior beleza meus olhos haviam tocado.
Sinto-me um rato, um verme, um nada.
O que é aquilo?
Ahhh.... matéria?
Lembro da Física,
onde se aplicam ali as regras?
Está tudo tão confuso.
E por acaso,
onde está Deus nisso tudo?

Inteligência e demência
caminham lado a lado.
Ser humano, por si só carrega um fardo.
E de tal enfado estou aqui pra te explicar.
Saiba que toda a criação;
Toda a organização;
Não tem o dedo divino.
Aquela bola que ali você vê
é a origem de tudo.
Sobretudo,
daquilo que vocês virão a chamar de amor.
Ali nascerá o ódio
que irá se ramificar em rancor.
Ali nascerá a bondade,
lunática,
que fará muitos apontarem caminhos.
A vida irá surgir.
Para os confins do eterno vazio o universo irá se direcionar.
Com isto aprendemos uma lição
com o sorrateiro inanimado
que preenche constantemente seu vazio
com a vida
e ao seu lado segue a própria vida
alimentando e sonhando
a esperança
de se manter eterna.

Não entendo o porquê
daquilo que tantos vieram me dizer.
Disseram-me sobre a vida e sobre o pós-vida
e agora nada disso me faz sentido.
Estou confuso e meus pensamentos agora
são meus inimigos.
Neste momento o último brilho que restava em meu olhar
foi apagado.
Não há mais sentido para que eu viva.
E que sobreviva aquele que foi manipulado!
Mas, uma coisa eu não consigo entender.
Por quê a ti,
Ó nobre Deus,
eu consigo ver?

Simples é o fato
que como ser humano sua imaginação é um dado
de vários lados.
Sua sorte é lançada de acordo com o que você pensa
e repensa de acordo com as circunstâncias de sua vida.
Assim nasce o sol,
que luz traz para o dia.
E aquece o coração humano;
trazendo alegria e segurança.
A festa é tanta
que este sol merece até ser chamado de Deus.
Luz para qualquer direção que nossa vista apontar,
Ó Lorde Rá!
Infelizmente sua luz não dura o bastante.
As trevas dominam e as horas são de jejum
As trevas submetem a luz
dando espaço para a vinda de Khonsu.
Mas somente serão Rá e Set a guerrear
e a criar a dualidade luz e trevas.
Pois, enquanto Khonsu espera,
o homem se desespera
e oferece os mais diversos sacrifícios
que não passam de suplício
para amenizar a culpa pela criação.
Maldita criatura!
Tornando-se mais poderosa que o criador,
o mesmo submeteu pela fé e pela dor.

Grandioso é o teu pensamento.
Minha existência, torna-se meu lamento.
A dualidade está no nosso coração.
Em todos nós
resta a opção da mudança;
braço da esperança que guia o ser humano
na direção do desconhecido.
Entendo, agora,
que nosso limite
é o limite da subjetividade.
Tornando-se, portanto,
um dos braços da verdade
que alguém irá abraçar.

Tuesday, June 24, 2008

Poema - Diálogo com o Conde


Em desalinho com as grandes questões tratadas,

o nobre do ouro se evade e se esconde.

Ele não o tal famoso conde,

que seguiu a pé naquela ínfima estrada?


E conseguiu alcançar o mais nobre desafio

de lidar com as questões mais triviais do seu tempo.

Mas, este não é o melhor passatempo

a que eu me proporia assentar.

Pois o levantamento feito naquele tempo

revelou grande deficiência de intelecto

Pois, era terra de abjectos

sem a menor consciência do que é a dor.


Ô obscuridade gentílica!

Façam versos, criem rimas!

Mas, por favor, não me venham com ladainhas

Eu sou osso duro de roer.

Ah... vocês vão ver

que, enquanto a dor superar a arte,

não haverá maior desastre

que me ponha ao chão.

Pois enquanto resta a canção,

há esperança!

Pois não passo de uma criança

pronta para brincar.


Então ela cresce e se transfigura.

Que maldição! Toda a sua figura muda.

Os pêlos crescem, os músculos enrijecem.

A pele muda e a mente desobedece.

Seria aos caprichos instintivos

ou à uma racionalidade maligna?

Que droga de vida é essa a minha

que se propõe a ajudar,

mas, a sofrer as consequências

de duras instâncias,

pois, ser criança

é sofrer, crescer, apanhar.

É lidar com os fracos;

é lidar com o forte.

Pois, justamente aquele que aponta o norte

é o primeiro a apedrejar

e a arquitetar as maldades mais inquietantes.


O grande ego vai caminhando.

A puro trote segue

e cavalgando

sobe morros, sobe serras,

atravessa ruas e entre as veredas

se esgueira,

rasteja e caminha.

E finalmente, olha lá!

Não é a terra de Caminha?

E finalmente ele descobre

que nas terras do oeste,

no hemisfério esquerdo do seu cérebro,

que a racionalidade lhe pregou uma peça!

Não que o coitado não mereça...

mas ego é ego e já basta!


Não é que o ego esconda

o dono do ouro, o conde;

que não é difícil de achar,

basta você olhar

para o rio e sorrir.


Ô nobre Conde, sobre meu povo e minha terra

o que tem a dizer?

-Meu caro... caríssimo amigo.

Desde há muito tempo reflito

o quão tu es digníssimo.

Porém, justiça seja feita

já que não sou de desfeitas

nem de meias palavras!

Por si só, pra mim, a verdade basta

e lhe aconselharei sobre o perigo que te rondas:

Olha de espreita

e perceba

que logo à sua direita se encontra os comuns

que de diversão estão em jejum.

Prontos pra mais uma rodada

de atividades ignóbeis

que alimenta de mais torpe

as suas mentes debilitadas.

À sua esquerda veja os crentes.

Bíblia na mão...

Ó, quão decentes!

Mas não engane

pois, por detrás daquelas aparências

o maior sinal de indecência

pode lhe assaltar.

Pois enquanto não representa um perigo,

seus desatinos se escondem sob suas vestes

e é justamente através de revezes

que nos põe estupefatos,

quase sempre de sobressalto!

Portanto, meu amigo.

Falar sobre sua terra

é falar sobre pessoas e pessoas

são diferentes

apesar de que a essência

seja a mesma

e de que as convenções humanas

sobreponham seus interesses;

ainda sim seu solo sagrado

é profanado com mesquinhagens

instintivas ou não

não passam de maldades

que apenas desgastam

nossa pobre existência.

Por favor meu caro...

às minhas terras venha!

E conheça quão divino

pode ser o comportamento humano

que não precisa de tantos desmandos

para saber se harmonizar.

Não me resta muito a falar sobre seu povo,

já me chega,

estou desgostoso.

E não sou homem de me pôr a par

daquilo que não me é prazeroso.


Pois, meu amigo,

a resposta já foi dada

e não me porei mais a par de nada

que não for de minha alçada.

Enquanto mantivê-lo por perto,

esperto estarei

porque aos seus avisos

sempre me atentarei

e não me deixarei tentar,

pode acreditar,

por um impulso de adoração.


Percebo que posso

aprender muito com a tua pessoa,

que como se fosse a proa de um navio

ao horizonte me guiará

e poderá me mostrar

o que neste mundo há.

Seja maldade, seja mazela,

seja a própria dor

ou a tristeza singela;

que bela me guia,

me orienta para a luz

conduzindo-me ao sol

em direção à santa cruz?

Ohh, por isso não se deduz

a força de minha vocação,

pois, amar de coração

não é o olhar instituído,

construído e consumido

pela mão humana.

Eis o conde,

Ó conde!

Nobreza d´alma

que reflete na água

nosso ego enfaixado.






Sunday, June 22, 2008

Poema - Versos para um amigo



Alegre Soldado que segue adiante...
além dos problemas, porém, é negligente
com a própria capacidade. Precisa ser fervente!

Arder como um louco num inferno de Dante.


Seu aspecto simpático, de sorriso brejeiro,
encanta os amigos, florescendo o respeito.
É uma alma nobre que por si só aquece.
Espíritos como esse ninguém jamais esquece.


Estudando e lutando; nova vida, novo rumo.
É difícil continuar, muito mais difícil desistir.
Mas, meu amigo por tudo há de persistir!
Conquistando seu espaço neste magnífico mundo.

Mesmo que tudo que reste no fim seja nada.
Eu e meu amigo nunca seguiremos ao acaso.
Pois pensar desta forma não é o maior descaso?
Glorifico, meu amigo, a sua pessoa honrada.

Sunday, November 25, 2007

Texto ainda em elaboração

Como podemos salvar o mundo? Para responder a esta pergunta, precisaríamos questionar também: Como podemos nos salvar? Isto é fácil de ser entendido a partir do momento que o mundo é fruto de nossas expressões que abarcam tanto o sentido cultural quanto o institucional. Esta última padroniza as ações e a primeira atribui um novo olhar ao homem que é exteriorizado em criações artísticas ou modelos comportamentais. Quanto à aparente simplicidade ao deparar-se com pontos demasiadamente complexos, não é minha intenção ater-me ao longo de páginas para discutir conceitos. A priori, os pontos sintéticos supracitados são os alicerces do entendimento do que é colocado como possível resposta para a indagação inicial deste texto.
Milhares são os motivos que emperram uma tentativa altruísta de melhorar nosso grande habitat. O “nosso” torna-se hoje piada. A idéia de que o mundo é dos homens deve ser reformulada para “o mundo é de poucos homens”. Um por cento da população brasileira, possui uma riqueza que corresponde à renda de 50% da população. Lênin considera que a classe empresarial apropriou-se dos meios de produção, nos seus mais diversos sentidos. Possui não somente a força econômica, mas a cultural. Desta forma, a classe empresarial adquire a capacidade de ditar as tendências. À semelhança do que ocorreu na corte de Luis VIII, a classe dirigente do Brasil cria suas próprias maneiras que são parcialmente copiadas pelos estratos sociais inferiores.
Um sistema econômico é uma instituição com vida própria. Criada, a princípio, sem intenção explícita; é a reguladora da conduta humana, que perpassa o nível material e ideal. Com todas as suas peculiaridades, tudo o que é produzido por esse sistema possui uma forma sob medida; pronta pra ser feita e desfeita. E desta forma também é o que se localiza no campo ideal. O modo como o homem vê o mundo, passa a ter um significado próprio. As relações também são feitas sob medida, como se fossem produtos. A aparente ausência de data de validade não tem grande importância, porque as relações tendem a sofrer constantes desgastes. Se por um lado há a concentração de riqueza, mesmo nos despossuídos isto pode ser refletido como uma concentração de instintos. Ao serem desprovidos dos principais bens da sociedade, as pessoas tendem a acumular sentimentos; sejam positivos ou negativos. Isto atravessa os mais diversos campos da relação do homem com a sociedade. A audácia torna-se um dos trunfos daquele que rouba, mesmo sabendo que ansiedade e medo em muitos casos são dominantes. Ninguém nasce com todas as características definidas. Desde o nascimento, o homem sofre modelações. Seja no seio familiar, no da sociedade e naquilo que constrói com suas percepções. O conhecimento adquirido gera novas formas de manifestação que alteram a própria conduta humana por meio de associações. E justamente através do saber, o homem pode melhor coordenar suas ações; tendo ciência de seus impulsos e ampliando o número de soluções para um problema.
A escola é uma instituição conservadora. Reproduz as características econômicas do sistema dominante no modelo de ensino, no comportamento e na visão de mundo dos seus estudantes. Por um lado existe a escola pública e do outro a particular. Na primeira encontramos os peões do tabuleiro de xadrez. A grande massa, que será a mão-de-obra dos interesses daqueles que detém o poderio econômico. Os filhos desta escola irão formar a massa com defasagem na consciência crítica e autônoma em relação aos grandes interesses político-econômicos. Desta forma, a classe empresarial possui um grande trunfo. Com seu poder de financiamento apóia candidatos nos municípios e estados; resguardando-se contra possíveis eventualidades. Uma máquina pública é formada a partir desses interesses. A política perde sua identidade enquanto espaço para representação do povo para assumir os desejos e ambições de um grupo. Mesmo que candidatos que pregam o social cheguem ao poder, não muito poderão fazer contra o cenário que encontram montado. Jogam no terreno do inimigo e muitas vezes ocorre de mudarem de lado. A educação brasileira é um dever “da família e do estado”. O Estado dá a escola, o alimento, mas não fornece as condições psicológicas ou de qualquer outra ordem que não podem ser feitos num formulário. A privação traz problemas próprios: desordem no seio familiar, necessidade de trabalho, falta de material de estudo, infelicidade, desesperança. Infelicidade e desesperança são termos inexistentes para aqueles que se autodenominam doutos da Economia; que com todo seu tecnicismo acabam esquecendo que as pessoas possuem desejos, sonhos e que quando se vêem frustradas, uma série de problemas negativos, e em pouquíssimos casos, positivos, vem à tona. Positivo me refiro quando se é analisado o desejo de continuar lutando, persistindo. Quanto aos problemas negativos, eles podem gerar boa parte das seqüelas sociais. Ao ir à escola pública, o menino carente depara-se com jovens de boa condição financeira que reproduzem em seus comportamentos as tendências ditadas pelos pais daqueles que eles pretendem imitar: os jovens aburguesados. A privação não seria o único problema, caso não existisse todo um aparato de incitação ao consumo. Aqueles que não podem adquirir os produtos do capital são ridicularizados por aqueles que fazem perfeitamente o papel marionetes. O homem é sensível à influência; e o pouco conhecimento junto ao fraco desprego moral e de valores, acaba tornando irresistível para o jovem adentrar o mundo do crime como forma de possuir aquilo que lhe falta enquanto membro de uma sociedade capitalista. Existem bens que não são possíveis para a classe média e baixa. Eles contentam-se com réplicas ou com suas próprias criações e fazem deles o passaporte simbólico para o mundo dos suseranos do capital.
A escola particular é um mundo com muitos submundos. Por um lado se tem escolas pagas para fornecerem um serviço “melhor” à da rede pública. Por outro lado, se tem escolas que são verdadeiros berços aristocráticos. Nelas encontram-se os “filhos dos fidalgos”. Crianças que irão substituir aqueles que detêm o poder e que são as verdadeiras donas da nação, pois, tem sob seu controle, todo o aparato dos meios de produção e comunicação. Este último é indispensável para a manutenção de um status quo, e na divulgação das tendências elitistas com o nome de “bom gosto”. Esta instituição particular irá formar uma série de tecnocratas sem relação direta com o povo, sem estar atentos às necessidades da sociedade. Irão comandar milhares de homens a partir de um laptop no último andar de suas empresas. Tanto na instituição particular quanto na pública, existe um mundo com submundos. Com suas próprias características devem ser analisadas e contextualizadas. E numa perspectiva macro correspondem à antiga idéia do Senhor e Servo, cuja visão aristotélica pressupõe que seus interesses são mútuos e estão intrinsecamente ligados, o que é errôneo afirmar.
A cultura está diretamente ligada às instituições forjadas pelo homem. Uma instituição é, antes de tudo, uma concepção. Um posicionamento acerca de um problema, com a intenção de resolvê-lo ou monitora-lo. Ela consegue criar suas próprias raízes e desta forma ramifica-se numa série de estruturas da mentalidade. A conduta é alterada e o modo de lidar com o meio adquire um novo significado. A cultura tanto pode surgir da instituição quanto ser uma condição para formá-la. A exemplo, o racismo no Brasil do século XIX era institucionalizado, advindo de uma cultura racista, da coisificação do escravo negro. O aparato burocrático do Estado excluía o negro, seja do momento eletivo ou mesmo das melhores oportunidades de trabalho. A igreja é um exemplo de uma instituição que gera uma cultura própria. Não somente a igreja como as religiões num todo. Inicialmente utilizam elementos culturais para uma simbiose de concepções acerca do mundo, gerando um novo olhar e um novo “portar-se”.
A todo instante somos influenciados e influenciamos. Mas apesar dos limites de nossa influência, sempre agimos de acordo com um todo homogêneo. Tal homogeneidade é o sistema capitalista. O conhecimento é uma forma de desgarrar-mos do condicionamento que involuntariamente (ou voluntariamente) sofremos. Deixemos de lado o modelo behaviorista de Skinner com sua posição rígida acerca do condicionamento e adotemos a posição de Norbert Elias do que ele significaria. Mesmo com o conhecimento tendo potencial de transformação sobre os indivíduos; os valores, a moral, os forma. Temos uma grande parte de preconceito enraizado, assim como de elementos reacionários e estes podem se manifestar sob a forma do desânimo, da inércia, da descrença. Na escola, o jovem aprende os princípios do capitalismo. Seu ser é composto por elementos discriminatórios e de preconceito. À medida que cresce sem que essas informações sistêmicas sejam cessadas, acaba por transformar-se num legítimo reacionário.
Uma coisa é certa: independentemente do sistema (capitalista, comunista, anarquista e outras), sempre haverá uma manutenção ideológica através das instituições do sistema vigente. Cabe ao indivíduo uma decisão quando se é analisado o socialismo como uma alternativa: é melhor um sistema em que um indivíduo é incitado à competição, que cria o culto à individualidade, que divide a sociedade em classes, que concentra a riqueza nas mãos de poucos ou um sistema que pretende diminuir os abismos entre as classes com o objetivo de eliminá-las, com a intenção de criar uma democracia racial, com a assistência aos bens mais básicos para a manutenção do indivíduo? As duas irão repassar suas ideologias através de uma série de mecanismos forjados em seu seio. Como são instituições, é compreensível a causa destas ações. Mas alegar que este é o motivo que impede uma possível escolha, porque aparentemente resultariam na mesma coisa, é um tanto insensato ou mesmo talvez esteja imbuído de um elemento reacionário disfarçado.
A idéia de classe no Brasil é diferente do que isto é entendido na Europa, por exemplo. Também é diferente de como isto é entendido na Ásia, ou seja, qualquer que seja a teoria, ela pode encontrar-se de forma diferente, mas sem que perca sua essência. Neste caso, a quintessência sem dúvida é a divisão dos homens numa “meritocracia” baseada no dinheiro. No caso brasileiro, a origem étnica do indivíduo é fator determinante para sua alocação na sociedade através do filtro natural das classes. Há a opinião de que no Neoliberalismo sobressaem-se os mais fortes. Portanto, aqueles que não ascenderam socialmente seriam os grandes fracassados. O sistema impõe sérias dificuldades àqueles que ocupam os estratos sociais mais baixos. Há uma manutenção da elite, com o mínimo possível de subida e descida entre seus membros nas classes sociais. Lênin afirma que a força trabalhadora tem se unido, formando um bloco com o poder de pressionar o capitalista, mas tal união possui uma consciência reacionária; não tende à modificação, mas somente a uma satisfação de classe. Dentre as supostas três classes existentes, pelo menos duas delas são responsáveis pelas grandes decisões do país e pela manutenção do atual estado de coisas. Sobre isso, nem irei discorrer sobre a influência da classe alta. Na classe média, a chamada classe média alta equivale à burguesia das cortes francesas do século XVII. Época em que a burguesia tendia a aspirar à posição de nobreza, fazendo todo o possível para copiar todo seu aparato simbólico. Desta forma, a classe média alta vê-se sempre como possível classe a atingir a classe alta e obter, simbolicamente, o grande prestígio social que seria realçado de forma sistemática pelos meios de comunicação. Marx provavelmente não esperaria por uma situação aparentemente sem importância, mas que possui grande influência neste prestígio fornecido pelos meios de comunicação. Tanto no Brasil como nos outros países, a classe alta é tratada como celebridade. Seu padrão é colocado como o ponto máximo a ser atingido por qualquer indivíduo. Tornar um membro da classe alta numa estrela de programa, comerciais ou algo envolvendo meios de comunicação é muito fácil, quando considerado que eles mantêm relação intrínseca ou mesmo são donos destes meios. O fascínio exercido sobre a grande gama de despossuídos é imensurável. O processo de acomodação dá-se por meio da fantasia. A televisão aliena o povo através de um mundo fantástico que a todo o momento é idealizado pelos telespectadores. Assim, se fecham em suas casas e não se atentam às mudanças que podem ser feitas com seu próprio esforço. Esquecem que suspirar por uma condição tida como “superior” é ser a favor da situação na qual se encontra. A imprensa das celebridades tornou-se um grande e poderoso foco reacionário contra a qual a luta atual pela eliminação das classes torna-se muito árdua. A influência exercida vem desde a infância. A criança vê nos filmes que ser rico é o objetivo da vida de quem se preza. Era comum nas décadas de 60 e 70 o uso de cigarros nos filmes através das personagens. Isto criou uma geração de viciados influenciados por tais maneiras. Estas colocações servem para demonstrar quão poderoso é a influência destes meios. A todo instante o sistema cria novas formas que revigoram sua luta reacionária, que se dá em nível de consciência e mesmo de inconsciência. A luta de classes não deve se dar somente no nível das lutas sociais. Com a alienação sofrida por grande parte da sociedade, esta luta deve ocorrer no nível da consciência. É necessário acordar aqueles que sonham acordado. Tanto sonham que acabam deixando a hora em que as coisas poderiam ser feitas. Mas a conscientização e o senso altruísta de levar até eles informações devidas sobre seu papel no sistema, serão vitais para um sentimento de indignação, de mudança, de revolução.

Romance ainda em elaboração.

Poderia ter sido uma linda história. Assim como os contos felizes, abro-me inteiramente às disposições otimistas de nossas pessoas. O mal é uma característica humana e ela está carregada de outros sentimentos. Desta forma um arco-íris de sinuosidades repele-se no nosso eu. Isto se exterioriza, o eu torna-se nós e tornamo-nos maus.
Pedro não era mau. Era um bom rapaz. Proporcionalmente seu alto porte não condizia com seus defeitos. Alguns poderiam alegar perfeição. Era sólido nos seus relacionamentos, firme nas suas decisões. O mundo era seu e tinha tudo à disposição. Quis a vida torna-lo uma espécie de Franklin Roosevelt e faze-lo atender aos pobres. Grande coração!
Pedro nasceu numa comunidade tranqüila. De tão calma alguns reclamariam da vida extremamente pacata. Porém, a cidade estava rumo ao desenvolvimento. Aos 12 anos, sem entender, ouve as pessoas falando sobre as novas oportunidades que teriam.
- Três fábricas este ano! Vou chamar o Toni pra levar seu curriculum – dizia Dona Flora às suas companheiras de solidão. Apesar de ter cinqüenta anos aparentava uns setenta. Sua utilidade já não servia a grandes propósitos e renegara-se à aposentadoria.
Pedro não nasceu há longo tempo, é quase nosso contemporâneo. Sua pouca idade inocentava-lhe o brilho nos olhos. – Fábrica! Fábrica! Falava pra si contente. - Perguntava-lhe o motivo e não poderíamos esperar por análises sociológicas. Rápido no gatilho dizia sempre - Progresso!
Talvez a palavra estivesse muito em voga. Ou em voga estariam aqueles que abusavam tanto desta palavra. Até nossos convivas consideram a vinda de fábricas um progresso. Confesso que não deixa de ser, mas existe seu limite. É preciso avançar sem que precisemos retroceder em algumas áreas. Infelizmente a cidade de nosso anti-herói estava como um filhote de jacaré. Um grande predador, mas que passa por situações as mais adversas durante suas primeiras fases de vida.
Sua infância foi marcada pela monotonia. Muitos consideram a vida monótona vizinha ao tédio. É inata ao ser humano a capacidade de querer ver-se sempre em apuros e de precisar do perigo como uma forma de dar sentido ou valorizar sua vida. Claro, a maioria não pensa desta forma, é algo instintivo. Pedro não precisa de adrenalina. Ele consegue manter a calma de um monge e respeita seus hábitos. Talvez isto seja um traço de conformismo, mas não era isto que iria diminuir a força de seu caráter.
Sabia disciplinar-se. Freqüentava o colégio pela manhã e à tarde estudava por conta própria. Nunca precisou de reforço escolar. Conseguia um tempo entre o final da tarde e início da noite para jogar futebol com seus amigos. Falta mencionar que era um bom cantor. Às noites apreciava a solidão e cantava para as estrelas. Sentia poder olhar além no espaço e observar quasares a anos-luz.
Não era tímido, apenas não sentia necessidade de beijar várias meninas de sua idade para provar sua masculinidade. Atualmente nossas crianças brincam de beijar, outras vão além e brincam de médico.
Certa vez Pedro, já aos 15 anos, passeava por sua rua - que se estendia de sua casa até sua escola, morava a menos de 300 metros desta; havia uma praça ao lado que ficava na esquina de uma rua com alguns bares e repleta de bêbados – quando viu um conhecido de sua idade ser ameaçado por outros garotos. Sentiu raiva pela covardia e partiu para a briga. No fim levou a pior, mas ganhou um grande amigo: Paulo.
Paulo, 14 anos, é um garoto de estatura média, tendo sete centímetros a menos que Pedro seus 1.65 eram realçados com um grande espírito e aparência saudável. Filho de pai branco e mãe mulata, traços caucasianos prevaleceram. Sua enorme espontaneidade surpreende para a sua pouca idade. De boa fala, argumenta sobre todo tipo de assunto e parecia ter a eloqüência de Cícero. Seu caráter era duvidoso, talvez eu não esteja dispondo de muitas informações sobre isto. Observei, apenas, pessoas comentando sobre seu temperamento, que variava da transcendental calmaria budista à agressividade néscia. Quando acuado pelos agressores eu não poderia descrever perfeitamente seu estado, mas parecia indiferente aos evidentes socos e olho roxo.
Desde então a infância dos dois jovens resumiu-se a passeios pela rua dos bêbados e às rotinas. Algo que virou hábito foi conversar sobre o futuro da cidade com a vinda dessas fábricas. Pareciam ser muito talentosos na arte da falácia.
Jean Jacque Rousseau afirmou que um homem seria fruto do meio. Poderíamos questionar a legitimidade desta idéia, porém, disposições materiais e bom ambiente familiar não são garantias de bom caráter. O homem tende a ser mau e isso aparenta ser uma característica de nascimento, algo da formação do cérebro. Pedro e Paulo possuíam as disposições materiais e bom ambiente familiar. Mas entre os dois poderíamos observar a existência de predisposições ideológicas. Suas vidas poderiam ser trocadas e ainda sim notaríamos que não foram exatamente as duas condições já colocadas que seriam a causa de certos pensamentos. Pedro, apesar de ser um bom sujeito, transparecia certas ambições. Quanto a esta última “qualidade”, todos os homens a possuem e é uma forma, na maior parte dos casos, de dar sentido às suas existências. Paulo raramente executava seu altruísmo e quando o fazia embebido estava de certo prazer; algo como beber quando se está com muita sede ou comer quando se está faminto.
Onde reside a perfeição? Alguns dizem que ela está no amor e outros falam que está na verdadeira amizade. Pode haver amor na amizade, mas perfeição é algo que está longe do ser humano. A amizade de Pedro e Paulo era sólida e transmutava tristezas em felicidades. Os gestos mais inocentes, os aparentes detalhes insignificantes representavam uma força maior nessa amizade que beirava a perfeição. Alguns poderiam acreditar que ali havia o dedo do destino. Prefiro apontar o dedo da casualidade e das conveniências que permitiram o estreitamento dos laços entre a vítima e o anti-herói. Por um lado havia o sentimento protetor e por outro o de gratidão. Inicialmente formaram-se desta forma, porém, ao longo do tempo, foram transmutados e tornaram-se novos sentimentos, duros como a rocha.
Não sou onisciente, portanto, não poderia descrever todos os fatos que cercaram a vida dos dois jovens. Mas considero que seria de grande importância enumerar uma série de fatores que resultaram num futuro não muito esperado a partir do que foi colocado aqui como presente. É preciso ressaltar que, como mero observador apenas, eu interpretei as situações à minha maneira. O senhor (a) pode ter sua própria análise acerca dos dois companheiros e jamais diria que está errado (a). Tenho a oportunidade de aqui mostrar como acompanhei com interesse essa história e emitir o meu jugo, que por sinal pode até estar equivocado. Não pretendo entrar no mérito de qualquer questão com os senhores.


As heranças culturais da pacata cidade impregnaram valores que não são bem conhecidos dos povos das metrópoles. Não que estes últimos sejam desprovidos deles, mas o “progresso” traz retrocessos no campo da moralidade. Os homens constroem conceitos e a partir deles vê o mundo. Eles acabam por gerar modos de se relacionar com a natureza e com os outros homens. Chega um momento no qual o suposto nível de “civilidade” – que seria o ponto máximo de distanciamento dos animais – começa a decair – supostamente decai -, e pouco a pouco o verdadeiro homem assemelhando-se vai a um animal, fazendo jus ao análogo “do pó veio e ao pó voltará”. O homem possui seu corpo privado e o oculta do público, e para este possui o corpo público que é apropriado pela sociedade em suas mais diversas formas como um quadro para exposição. Este corpo equivale ao pensamento ou a suas manifestações entre seus semelhantes. Algumas vezes existe o que pensa e o que quer que os outros pensem. Desta maneira, nunca podemos afirmar uma autencidade. Talvez nossos personagens sejam um tanto ilegítimos neste aspecto. O mesmo poderia afirmar do caro Rodia. Somos aquele que pensamos ou simplesmente o que vemos como reflexo no espelho?

Poema - Anjo


Anjo da manhã, da tarde e da noite,
que congela e ao mesmo tempo aquece;
perto de ti o chão estremece;
em sonhos de ti há o meu pernoite.

E pernoitando atravesso mil noites
e tais noites não se acabam com as horas,
porque pra mim as horas se tornam mortas
e em ti resumo o meu infinito.

Feliz por te imaginar.
Feliz por contigo estar.
Contente a ponto de viver a saltar.
Contente por sentir o seu ar...

Entretanto a vida põe adversidades.
Superar-me, tento a cada nova dificuldade.
Se eu puder, reclamarei ao mundo que sou o mais forte,
porque encontro em você o meu mais formoso norte.

E norteando minha vida cavalgo, ando, piloto.
Faço o possível e o impossível.
Não conseguir nada com tua inspiração seria opróbrio.
Portanto, fraco com ti é inadmissível!

Es tu aquela quem me arranca o suspiro
e que me torna o mais iluminado espírito.
Eis o momento para a verdade ser dita:
Amo-te! Minha querida... musa juíza!!!

Tuesday, December 26, 2006

Poema - Tenacidade


Eis que era a tenacidade admirada
Entre todos os demais sentimentos sempre apreciada
Volúpia insana que emana do nada
Faz da nossa primeira qualidade reduto do rancor

As palavras foram ditas num único suspiro
A firmeza do homem nunca o abandonou, entretanto
Mensagens mentais que não passam de um desvario
Que confundem-me e deixam-me aos prantos

Nunca uma lágrima teve repleta de significação
Como a gota saída dos belos olhos da linda Natureza
Soberba, qualidade requerida para a perdição?
Creio que não, a sordidez é com certeza

Com quantas linhas podemos compôr o admirável?
Podemos limitar a criatividade do magnífico?
Juízo de valor não é a maneira mais afável,
De querer ser agradável e para o outro digno

Na nossa História sentimento de outrem, existe?
Alteridade e amor, coexistem?
Tenacidade é uma qualidade que no bom persiste?
Ou a loucura do entendimento não passa de vertigem?

Entender palavras é tão difícil quanto ao ser humano
Ser insensível a esta causa não me torna desumano
Escrever o que parece incompreensível não pode parecer estranho
Àquele que lê e que se torna a palavra

Juntei minhas lágrimas às da Natureza
Refletimos sobre o atual estado de coisas
Desencantamo-nos com as conclusões que tivemos
Derivadas de um nobilíssimo sentimento de compaixão

Como a ponte que fornece o suporte e a passagem
Encontrei-me seguro à esta nobre imponente
Minha visão de humano não conseguiria fazer com que eu enxergasse além
Dos tristes limites, horizonte que delimita nossa vontade de fazer o bem

Que é o meio quem corrompe o homem já foi dito
Não torno isto um veredicto, porém é legítimo
Precisamos cogitar a idéia do que somos e pra onde vamos
E desta forma compreendermos melhor nossa primeira qualidade

Assim como o homem que deixa a pedra e conhece uma cama que lhe apraz
Tais versos vão perdendo a mecanicidade de outrora
Assim é o homem, que como nosso homem disse
"Vai centrando seus interesses à medida que o tempo passa."
Desta forma vão-se as guerras, não somente as palavras
No fim, aparentemente o que resta é nada
Auto-conhecimento é principal para alçar vôo
Rumo à nossa identidade e paixão ao que é da humanidade

Poderíamos resumir em simples palavras sentimentos de civilizações?
Seríamos capazes de usar verbos pra exprimir suas lamentações?
Torna-se enfadonho o triste desejar de a tudo querer apalpar
Nossos braços não podem abraçar o mundo

Como aquele que morre para ser inscrito na história
Existe a escória que a tudo quer determinar
Minam nossas vontades, dominam nossas vidas
Limitam nossa criatividade e até nossas rimas!

Infelizmente a ignorância existirá enquanto houver humanidade
Sempre nesta haverá traços de bestialidade
Paro por aqui com toda esta cordialidade
Faltou em mim a necessária tenacidade.

Sunday, October 15, 2006

Sobre a Coréia do Norte, reportagem do Fantástico

A globo questiona o regime da Coréia do Norte. Talvez a emissora argumente que a reportagem não traduz exatamenteo pensamento dela. Então vamos falar somente da reportagem que passou no programa Fantástico em 15 de outubrode 2006. A fome foi colocada como um dos grandes problemas enfrentados pelo país e através dos relatos de algunsnorte-coreanos, o quadro de miséria é colocado e o desespero das pessoas em relação à má condição em que viviam.Os jornalistas que apresentaram a reportagem foram os mesmos que geralmente são enviados especiais aos EUA e lá cobrem as principaisnotícias. Alguns destes jornalistas foram até o país e apresentaram para o povo brasileiro aquilo que seria a visãoestunidense acerca do regime comunista existente no país. Ora! Quem é o maior inimigo do comunismo senão o capitalismo?E quem a representação do pleno capitalismo no mundo senão os Estados Unidos? Eles que provacaram várias sançõese embargos, querem comprometer mais ainda a estrutura do país e apresentar ao mundo que o comunismo leva à miséria.A fome provocada no país é provocada, em boa parte, pela política norte-americana de isolamento da nação. Desta forma,acaba sufocando e minando a força do regime, provocando turbulência e descontentamento. Mas, assim como Cuba, aCoréia do Norte está dando a volta por cima, e inicia seus experimentos com as armas nucleares e com a energia nuclear, aprimorando-as.A reportagem acaba mostrando aquilo que os EUA querem que o mundo veja: que seu capitalismo é a salvação; e acaba esquecendo que o próprio capitalismo é o mal do mundo. Que a usura gerou o capitalismo e já foi o maior pecado. O sistemacapistalista originou-se do pecado! Nada mais lamentável. A tv aliena e faz com que os fatos sempre fiquem a favordaqueles que nos dominam. O dominador acaba exercendo certo fascínio sobre o dominado, e este deixa-se encantar, ou talvez,opções não lhe restam, talvez só haja uma opção já que as fontes são restritas quando não inexistentes. Mas a conscientizaçãofará com que o povo não acabe acreditando nas versões de uma emissora que aliena o povo com novelas e com mentiras.

Wednesday, October 04, 2006

Bela, perfeita e... sempre falível Constituição!


Terra de malditos! Perdoem-me o sensacionalismo exacerbado. Tenho perfeita noção que temos exceções, não são muitas, porém, são exceções. Temos todo tipo de bandido. Temos aquele engravatado com ternos caros. Temos aquele cujo terno não é tão caro, mas a cara continua sendo lavada da mesma maneira. Temos aqueles que não tem dinheiro pra terno e com suas roupas rasgadas fazem as mesmas coisas, mas fazem também uns trabalhos mais degradantes. Têm outros que nem roupa tem, e com seus farrapos roubam pra comer. Roubo é roubo e não importa com o que o cidadão esteja vestido. Mas infelizmente a realidade pra quem usa terno e pra aquele que mal se veste é bem diferente. Os advogados resolvem o caso de um e a o advogado do outro perde a paciência e quer dar logo fim num processo pra poder pegar outras dezenas. Até os advogados são diferentes...

Esta é na nossa bela, perfeita e... sempre falível constituição:
Título II
Capítulo I: Dos direitos e deveres individuais coletivos

XLVI – a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;

XLVIII – não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de trabalhos forçados;
c) de banimento;
d) cruéis
...
XLIX – é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;

Eis o Brasil. Prazer em conhecê-lo? Talvez não, provavelmente já o conhecia.
O Capítulo já dá a idéia de que veríamos direitos e deveres colocados igualmente para todos os cidadãos. Mas o brasileiro que tem uma longa jornada de trabalho pra alimentar sua família com o insuficiente salário mínimo tem seu direito assegurado na nossa, repetindo, bela, perfeita e... sempre falível constituição?
Alimentamos bandidos, a máquina do Estado funciona de tal forma que o imposto que pagamos irá pagar a roupa e as três refeições diárias daqueles que são um perigo para a sociedade. Claro, não serei injusto. O crime é resultado de uma série de fatores sócio-econômicos e de uma psicologia social que acaba alimentando tais atitudes em algumas pessoas. Mas existem outras formas de punir o crime daqueles que de certa forma só fizeram aquilo que consideraram, mesmo sendo de forma errônea, o crime como forma de ganhar seu pão. Não sugiro algo próximo da ilha de Utopia. Mas nossas leis precisam ser radicais, pois problemas emergenciais necessitam de medidas igualmente emergenciais.
Alimentaremos vagabundos que mataram? Faremos deles meros frangos de engorda que depois irão voltar para as ruas e causar o mesmo terror de antes? A estrutura dos nossos presídios não somente favorece o crime, como o alimenta e o especializa. O preso ao sair torna-se propenso à atividade criminosa como se disto dependesse sua vida, como se fosse sua razão de ser. Claro, deveria haver a condução e todo um trabalho para tornar o detento pronto para a vida social. Mas a monotonia dos presídios e a insuficiência de recursos conseguiram dar conta disto quando? Do vermelho não sai, é necessário que o Estado coloque tais indivíduos para trabalhar. Mas nossa bela, perfeita e... sempre falível constituição não admite trabalho forçado. Existe maneira melhor de pagar o crime, pagando primeiramente sua estadia? As prisões brasileiras transformam-se em colônias de férias e facções dominam várias regiões do país exercendo, em alguns momentos, um poder paralelo ao do Estado. Eis a nossa bela constituição e perfeita nas suas conseqüências!
Argumentariam que é desumano demasiadamente desumano. Então Nietzsche surgiria, conversaria com More e resolveria nosso problema. Milagres não existem, voltemos ao real.
O experiente Karl Marx afirmava que “o trabalho dignifica o homem”, Lula não desmente a barba de Marx e afirma o mesmo. Mas a ociosidade fará dos detentos seres dignos? Perderam sua dignidade ao cometerem o crime, mas eles irão recuperá-la no presídio, esta seria a idéia, porém não é a práxis. Enquanto nossos impostos fizerem a manutenção das roupas brancas com listras pretas nosso país terá criminosos hibernando. A solução está na modificação da constituição e na exclusão de uma série de parágrafos que somente tendem a atrasar o país. Diriam os conservadores que não deveríamos voltar à Idade Média, porém eu argumentaria que não deveríamos nos manter estáticos à situação. Propostas são sempre bem vindas e a hora não é de conservar nada, já assimilamos muitos conceitos estrangeiros e não devemos apenas construir nossa sociedade à base do jeitinho.

Monday, September 04, 2006

Mil e uma maneiras de buscar a felicidade. Invente a sua.


Qual homem quer isolar-se completamente do contato com seus semelhantes? Somos uma espécie que de tudo pode acontecer, mas é necessário saber que é uma vontade inata ao ser humano querer a companhia de outros. Nossa mente é capaz de burlar regras, consegue, inclusive, enganar-nos quanto aos sentidos. Desta forma vermelho será um número e nosso olfato trabalhará como música. É um mundo estranho o nosso, vemos, através dos tempos, sempre com os olhos de um tempo anterior, atrasado. Podemos ser qualquer coisa, assim como podemos ter qualquer escolha. Quanto a isto não cabe dizer que é verdadeira as nossas intenções, assim como um palpite nunca é uma certeza. Alegar que não tem sentimentos e que quer isolar-se dos homens é uma tentativa fajuta de denegrir a inteligência humana, no fundo não podemos ir contra nosso instinto. Todavia, no mundo esquizofrênico isto bem que é possível... . Certa ausência de sentimento? Provavelmente deve ele ser autista, mas este humor negro não irá tirar o fundamento da minha argumentação.

Sempre buscamos a felicidade e podemos obtê-la das mais diversas formas. O sadismo possibilita o entendimento disto da forma mais cruel, a dor que traz o prazer e esta pode desenvolver uma felicidade temporária no indivíduo. Logo este voltará à sua tristeza habitual, não dirá que está triste, consegue ser cínico o bastante pra dar desculpas sutis. Há quem vê a felicidade nos gestos mais simples e há quem encontre na auto-mutilação uma forma de prazer, um método estranho para alcançar sua felicidade. Não faço referência tão somente à carne, não... , mutilamos pensamentos! É uma mortificação da mente, assim como a carne dos membros do Opus Dei, mas essa é uma outra história.

Querer nada é querer algo, não deixamos de querer algo. Talvez alguns queiram levar uma vida naturalista, assim como um Colombo que na Nova Terra que quisesse ver-se livre dos seus semelhantes e apreciar exclusivamente a natureza, sem pensar no amarelo que movia o mundo de outrora, que oferecia algo exótico, para ele humanos bestiais, mas estes também não interessavam, melhor para ele seria observar o cantos dos pássaros e o vai e vem das inumeráveis plantas e árvores. Era Colombo um niilista naturalista?

Risos à parte, o niilista é aquele que procura uma forma de interação diferente da habitual, este é o senso comum, homens que não querem se prender tanto à moralidade e aos valores, querem reinterpretar tradições! Estranhas maneiras, mas isto é a busca da felicidade e podemos fazer isto das mais diversas maneiras. Não importa o que faça, nunca deixará de ser o homem propenso às fraquezas da carne e da mente.

Wednesday, July 19, 2006

Poema - Reflexo do Ser


O ser humano é reflexo do caráter.
O meio fabricou a dor.
Moldamo-nos às coisas pela metade.
O universal nunca alcança seu esplendor.

Ao conhecermos o próximo somos sábios,
e ao conhecermos a nós mesmos somos iluminados.
Tais são pensamentos de alucinado,
ou a verdade choca seu pudor?

A ignorância norteia nossa sociedade.
Confesso que nos sentimentos mais nobres há resquícios de maldade.
A felicidade nunca é plena, somente enquanto dura.
Às penas nossa vida é feita por tentativas de conduta.

Se teu pudor está fragilizado,
à duras penas conseguiu tal virtude.
Quem se envergonha diante do espelho,
ao ver o próprio reflexo do despeito?

Se perdeu a esperança no bom senso,
tu não és o único meu amigo!
Mas confesso que é melhor sonhar acordado,
do que acordado sonhar que está dormindo.

Zumbidos que atormentam as almas dos inocentes.
Inocentes? Onde? Talvez esteja eu sendo displicente.
Mas quem sabe esteja eu com a certeza,
de tentar fazer com que você veja a podridão que é.

As rimas se perdem em tentativas não válidas.
Sem validade também são as ações humanas.
Sabe que morrerá quando a sua feição está pálida.
Sempre pensamos assim nas nossas incertezas do nada.

Sunday, June 25, 2006

Poema - Instinto e Sentimento


Diga-me, por favor, o que é mais belo:
O amor ao corpo ou o amor à essência?
Dizes tu que a segunda é consequência
do amor carnal, instinto animalesco.

Sou carne e osso prontos a apodrecer.
Você é um inseto prestes a padecer.
Somos vermes incapazes de ver
toda a ação que causa um efeito de dor.

As futilidades que uma mente produz.
Futilidades quais? Sua arrogância o conduz
para o beco das mil solidões, palavra arcabuz
que irá flechar um dia tua pobre prepotência.

Somos vermes, já disse, isto está dito!
Não faço disso para todos um veredicto.
É uma opinião minha, sugestão decrépita
que faz da natureza uma entidade velha.

Ame o sangue, ame as secreções, ame o odor.
Ame a carne, ame o osso, ame o suor.
Ame as vísceras, ame o podre, ame a dor.
Ama o amor? Ama o valor? Ama o pudor?

Os vermes que comem almas sensabor,
lambuzam-se num mar infinito de calor.
Altas temperaturas do falso moralismo;
da falta de vergonha para falsas virtudes!

Realmente você cairia aos prantos,
se da cabeça cabisbaixa tirasse os panos?
Estes não conseguem revestir a paixão
que dos tristes pensamentos encontra sua consolação.

Você cultua o corpo assim como as formas.
Quem se importa hoje com o conteúdo da obra?
É o instinto que vai fazendo o homem moderno.
É o pensamento que institui o culto a um sentimento terno.

Termina assim todo o oceano de justificativas.
Acabam-se, portanto, todas as prerrogativas.
Mais nada importa para as escolhas: pensamento/sentimento.
Sentimento/pensamento... e o instinto vai regendo.

Wednesday, May 24, 2006

Um amor, sob capa de carta, para X

Nesta folha de papel simples
Sem charme, sem elegência e sem cores
Tento traduzir ao simples
Aquilo que perspassou o maior dos amores

Não sou poeta letrado
Tento apenas ser um amador treinado
Que a ti não só faz juras de amor
Mas que tenta te mostrar o céu, a felicidade...
E de certa forma a dor

Ó Minha Princesa!
A maior das rainhas!
Livre-me das presas
Da "dor sem ti", erva daninha

Você consome meus pensamentos e meus sentimentos
Você é a "tal" estrela que ofusca o brilho de todas as outras
Não me deixe nunca, jamais, ao relento
Daquelas que não me satisfazem, as outras

Apenas resumo aqui X
As palavras finais daquele poeta treinado
Que passe o tempo, passe a vida ou a inocuidade do nada
Desejaria! Adoraria!! Amaria!!!
Que para sempre fosse a minha namorada


Ass: De um pobre plebeu, para uma nobre rainha.

Feita num dia recente, para toda a eternidade.

Wednesday, May 10, 2006

Eu sou eu. Sou o que Sou.

Sou o que Sou?
Ou sou o que me dizem?
Mas eles se contradizem?
Deixem-me pensar

Quero um mundo altruísta
Sem esmeros nem devaneios
Sem o menor pensamento alheio
A menor coisa que o possa manchar

Querer é saber
Saber é poder
Temos sede de poder?
Ou temos medo de perder?

A vida que com o tempo é nada
Do nada veio e para o nada voltará
Um dia do que isso se chamará?
Não sei, deixem-me pensar

Um mundo que se criou das incertezas
De incertezas viverá a sua alma
Será pobre decaída, vaga
Temos lá na fundo, nossa própria jaula

Tudo isso pra saber o que sou?
Ou tudo pra saber o que serei?
Tenho receio, talvez um dia morrerei
Quem sabe, para comigo a morte terá pudor

Meros devaneios de uma mente megalomaníaca?
Ou sede inata à uma mente aventureira?
É como se sentir debaixo de uma cachoeira
E no fim sermos incapazes de fazer o fluxo voltar

Sei lá o que vc sabe sobre amar
Sei cá que impossível é amar
Teria você a sede de matar?
Ou se lamentaria vendo a morte do teu querido?

Escrevo para passar
Talvez para lamentar
O fluxo sei que nunca voltará
Tal impotência... nada me consolará

Teus caminhos são estreitos?
Precisa de novos respeitos
Sinta-se com sobejo
Ah ha! Grande desrespeito!

Findou-se meus devaneios
És meu mundo, nada de altruísta
Quem sabe um dia, alguma alma nobre vista
O lindo traje das ilusões

Monday, September 19, 2005

Governo Lula

Muitos equivocos foram cometidos pela sociedade desde o entao escandalo do mensalao. Na pratica, o mensalao nao foi comprovado(o mensalinho sim). Mas de qualquer forma nao devemos esquecer o grande avanço do governo no nosso pais. Eh preciso lembrar que uma federaçao eh composta de estados e estes de municipios que devem aplicar os recursos do governo. Quando um municipio recebe uma verba, cabe ao governante investir com sabedoria, visando o bem social. Nao eh tarefa do governo dirigir seus esforços diretamente para os municipios, e sim para o governo do estado e este redistribui para os municipios.

Uma federaçao precisa ser forte. No campo das relaçoes internacionais o pais se tornou mais forte, tanto economicamente quanto politicamente. O Brasil assumia claramente sua posiçao de liderença hegemonica no bloco da America Latina. Com isso, nosso pais ficou mais propicio a investimentos e novos negocios foram abertos, fazendo com que as exportaçoes batesse recordes a cada ano.

A economia eh reflexo da politica, mas no nosso quadro, a crise politica nao abalou a economia que seguia com a mao invisivel do mercado, graças a administraçao do senhor ministro Palocci. Com tudo isso, tivemos uma economia estabilizada e o governo Lula continuava a atrair o povo que o elegeu. Mas como poderia fazer o povo para voltar-se contra o governo? Estourou a crise politica, e por causa de mas atitudes politicas por parte de membros do governo, a credibilidade de Lula fica ameaçada. Mas antes de pensarmos qualquer coisa contra o governo eh preciso salientar que ele fez mais avanços que a gestao anterior. Nao devemos perder a confiança no presidente por causa desses eventos que nao refletem a situaçao de melhorias no nosso pais.

E eh preciso lembrar que eh tarefa do legislativo procurar fiscalizar e adiantar os compromissos do Estado. Foi preciso comprar a boa vontade dos deputados que jah ganhavam pra trabalhar para o povo. Para poderem nao emperrar os projetos, foram pagos para adiantar os processos. A culpa foi de quem pagou, mas muito mais de quem recebeu. Devemos lembrar que o dinheiro envolvido foi do fundo partidario, que mesmo sendo de contribuiçoes, nao provocam danos ao sistema economico, mas de qualquer forma isso continua sendo ilegal e errado.

Devemos nos conscientizar disso. A oposiçao ira alimentar uma ideia suja do governo ateh as proximas eleiçoes, a midia acaba perdendo sua imparcialidade e critica sutilmente o governo. O que eles querem eh formar nossa opniao de administraçao do pais a partir deste fato. Eles acabam ofendendo nossa inteligencia! Acham que somos as mesmas marionetes que o elegeram, mas a realidade nao eh bem essa. A partir do momento que sabemos o que eh melhor para o pais, iremos abandonar o que eh melhor para ele por causa de atitudes que nao foram corretas mas que no fim eram melhores para a sociedade?

A oposiçao acabou sejando a imagem do pais, os 47% das naçoes a favor do Brasil certamente irao ver a imagem da imprensa brasileira e consequentemente a imagem suja do pais, os planos excelentes para o desenvolvimento nacional podem ter ido por agua abaixo por causa dessas acusaçoes irresponsaveis, fundadas apenas a partir do direito parlamentar.

OBS: Valdemar Costa Neto, critico assiduo do governo estava no esquema. Muitos que criticam tem seus podres escondidos debaixo do tapete. Enquanto ninguem descobre eles apenas tentarao alcançar o poder por meio de uma campanha de difamaçao.

Severino Cavalcanti eh outro que criticou, mas que no fim acabou envolvido no mensalinho(praticamente comprovado).

Roberto Jefferson(cassado), utilizou seu direito parlamentar para ser grosso e irresponsavel. Ele sim foi o malandro, e aproveitou que as evidencias de investigaçao poderiam incrimina-lo e quis passar a imagem de heroi enquanto na verdade era o maior vilao. A eloquencia se suas palavras certamente farao muitos acreditar. Mas nos temos a consciencia e saberemos discernir o certo do errado e saber dar credito ao que mais importa para nos brasileiros.

Saturday, August 20, 2005

Vírus Homo Sapiens

O que nos faz diferentes dos vírus? Meu receio é que nada pode evitar uma comparação entre estes dois lados: homens e vírus. Thomas Robert Malthus especulou um mundo com uma população enorme e que com isso, o planeta não haveria de ter mais recursos para “manter” todos. Mas tal teoria não se concretizou, a população mundial passa longe das estimativas malthusianas. Mas de qualquer forma, as populações dos paises pobres tendem a crescer, agravando por conseguinte, as mazelas existentes. Um mundo que expande todos seus limites demográficos desta forma, esta infectando o mundo. Por comparação, não passaríamos de um vírus malévolo que tende a destruir uma célula (Terra). E supondo uma tecnologia avançada que favoreça a exploração de outros planetas, estaríamos, ainda sim, sendo um mal que ameaça o universo. Tudo depende das escalas como a matéria é vista. Numa casa, bloco e tijolos a compõem, moléculas compõem estes e estes são compostos por átomos. Planetas possuem escala planetária que se assemelha aos elementos supracitados. Supondo o universo como um imenso organismo, planetas não passariam de células e as galáxias seriam o sistema do organismo universo. O homem seria o vírus; com sua tecnologia seria capaz de crescer e afetar as outras células acabando por afetar todo um sistema, dominando outros sistemas e no fim comprometendo o organismo. Com uma tecnologia mais avançada, o homem poderá ser o deus cujo poder era venerado por homens primitivos e da contemporaneidade. Poderíamos ser capazes de provocar as mais diversas mudanças no sistema. Porem, a existência desse grande organismo (universo) dependeria da expansão desse vírus humano. Seriamos a doença ou os protetores do universo? Destruiríamos tudo por ambição? Até onde chegaria o poder de destruição tecnológico? Nossa raça viverá para sempre?